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Quando a Lealdade Não Basta, É Hora de Partir romance Capítulo 461

Ana Rocha olhou para Samuel Palmeira, apertando a mão dele com carinho.

De repente, sentiu uma gratidão inesperada pelo avô. Naquele tempo, foi ele quem enfrentou todas as opiniões contrárias e abafou os rumores de que Samuel Palmeira era louco, dedicando-se a preparar o neto para que pudesse entrar no Grupo Palmeira e assumir o comando da empresa.

Samuel Palmeira olhou para Ana Rocha, atônito, e só depois de um bom tempo assentiu levemente com a cabeça.

Embora nunca tivesse desconfiado que seus surtos fossem provocados por alguém, ele realmente suspeitara e investigara a doença mental da mãe. Era bem possível que alguém tivesse causado aquilo de propósito, talvez até a medicando às escondidas.

— Samuel Palmeira, tanto a família Batista quanto a família Palmeira já estavam na mira de alguém há muito tempo, já faziam parte de um plano. Quem está por trás disso quer destruir completamente as famílias Batista e Palmeira — disse Ana Rocha, a voz trêmula.

A família Batista: vovô Gabriel perdeu seu único filho legítimo e a nora de uma só vez, e a única neta sumiu no mundo, sem se saber se estava viva ou morta. O velho quase foi morto pelo próprio filho bastardo, e a herança quase foi tomada por esse filho ilegítimo junto de uma falsa neta.

Já a família Palmeira: Ricardo Palmeira se mostrou incapaz, foi manipulado, perdeu tudo em apostas, quase levou o Grupo Palmeira à falência, depois enlouqueceu a esposa, e, após a morte dela, temendo que a ruína da família respingasse nele, assinou um acordo abrindo mão de tudo e desapareceu.

Se não fosse pela postura firme do velho Palmeira nos tempos de juventude, e pela determinação de Samuel Palmeira depois, a família Palmeira provavelmente já teria desaparecido de Cidade R há muito tempo.

De qualquer forma, quem está por trás disso conhece profundamente todas as fraquezas das famílias Batista e Palmeira, sabe os passos e trajetórias de ambos os clãs.

Isso só pode significar que essa pessoa é alguém muito próximo, alguém do círculo deles.

Definitivamente não é um estranho. É alguém que eles conhecem bem.

Mas... quem poderia ser?

— Um dia, a verdade virá à tona — Ana Rocha apertou ainda mais a mão de Samuel Palmeira. — Não se culpe. O que não partiu do seu coração não pode ser sua culpa.

Ana Rocha sabia que Samuel Palmeira nunca foi incapaz de perdoar Vicente Damasceno. O problema era que ele não conseguia perdoar a si mesmo.

...

Naquela noite, Samuel Palmeira conseguiu dormir profundamente, coisa rara para ele.

Mas ela percebeu que a distância entre eles era difícil de superar.

Nenhum dos dois queria dar o primeiro passo.

— Nunca guardei mágoa dele — respondeu Vicente Damasceno, após um longo silêncio.

Ele disse que nunca culpou Samuel Palmeira.

Ana Rocha ficou surpresa e olhou instintivamente para Vicente Damasceno.

Nunca o culpou?

— Naquela época, tudo era complicado demais... Não é algo que eu possa explicar em poucas palavras. Quando tentei interná-lo à força, só queria protegê-lo. A morte da minha irmã tinha outros motivos, e a família Palmeira não era um lugar seguro.

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