Ana Rocha abraçava Samuel Palmeira com força, sem querer soltá-lo.
— Calma, eu prometi que viria passar um tempo com você, mas não posso ficar aqui por muito tempo — Samuel Palmeira afagou os cabelos sedosos de Ana Rocha.
Ana assentiu, respondendo com a voz abafada:
— Eu sabia que você ainda estava vivo...
Samuel Palmeira a conduziu até o sofá e a envolveu nos braços.
— Só quero te acompanhar nesse início da gravidez.
Como futuro pai, ele sentia que não podia se dar ao luxo de ser indiferente, nem deixar que Ana Rocha enfrentasse tudo sozinha; pelo menos, deveria lhe dar companhia.
— E se alguém descobrir? Se o seu plano for desmascarado, tudo pode ir por água abaixo... — A voz de Ana Rocha saiu rouca, enquanto ela se apoiava no ombro de Samuel Palmeira.
— Não vai acontecer. Agora, quem está por trás já voltou sua atenção para a família Batista — Samuel ergueu as sobrancelhas; nesse momento, os mais ameaçados eram Ramon Domingos e Thiago Palmeira.
Seu falso falecimento tinha um único objetivo: livrar-se das responsabilidades e desaparecer dos holofotes.
Se continuasse vivo, o inimigo nunca tiraria os olhos dele. Só com sua “morte” a atenção poderia ser desviada.
No fundo, Samuel Palmeira era mesmo estratégico — quase maquiavélico.
Mas não havia alternativa. Sua esposa estava grávida; uma gestante precisava de companhia.
— Thiago ainda é muito jovem. Espero que ele consiga resistir às tentações e não seja manipulado — suspirou Ana Rocha.
— Se não consegue passar por uma provação dessas, como vai assumir o comando do Grupo Palmeira no futuro? — respondeu Samuel, com certa frieza.
Apesar das palavras duras, Ana Rocha sentiu um traço de impotência e melancolia em seu tom.
Thiago Palmeira, pelo menos, tinha o irmão mais velho para protegê-lo, apoiá-lo, alertá-lo com antecedência.
Já Samuel, no seu tempo, precisou abrir o próprio caminho, sozinho.
Essas pessoas eram especialistas — e até gostavam — de usar a sedução, porque era o método mais barato e eficaz. Haviam tentado usá-la contra Samuel, mas ele sempre percebera antes.
— João Viana é uma ameaça — lembrou Ana Rocha, olhando para Samuel.
— Sim, mas ainda não é hora de alertá-lo. — Samuel já havia percebido o problema. Para lidar com João Viana, precisaria usar as mãos de Thiago Palmeira.
Ana entendeu de imediato: se até ela havia percebido, Samuel certamente já tinha tudo planejado.
...
Cidade M, mansão.
Thiago manteve-se firme:
— Não. Tenho que ser responsável por você.
Ele abriu o kit, furou o próprio dedo e fez o teste.
Depois de confirmar que estava tudo certo, entregou outro kit a Beatriz.
— Agora, é sua vez.
Beatriz já estava pálida, segurando o teste com as mãos trêmulas. Demorou para responder:
— Thiago... me senti meio mal de repente. Podemos deixar isso para outro dia?
E saiu correndo.
O rosto de Thiago escureceu. Diante de tanto medo de um simples teste, ficou claro que Luana Viana pretendia destruir sua reputação usando mulheres.
Que crueldade...
Já que vieram com tanta agressividade, ele também não teria piedade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quando a Lealdade Não Basta, É Hora de Partir
Será que esse Livro irá continuar?...