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Quando a Lealdade Não Basta, É Hora de Partir romance Capítulo 426

Camila Alves e Thiago Palmeira já tinham terminado de preparar o jantar quando perceberam que Ana Rocha não estava na sala. Chamaram por ela algumas vezes, mas ninguém respondeu. Assustados, os dois correram pelos quartos e pelo escritório à sua procura.

Depois de muito procurar, finalmente encontraram Ana Rocha encolhida em um canto do escritório.

Ela segurava uma velha fotografia nas mãos, e as lágrimas já haviam molhado seus cabelos.

— Ana... — chamou Camila Alves, apreensiva.

Ana Rocha levantou o olhar para Camila Alves e balançou a cabeça. — Estou bem, me deixe... só mais uma vez, deixar as lágrimas caírem.

A partir dali, ela não choraria tão facilmente.

Porque sabia que chorar escondido era o tipo de desabafo mais inútil que existia...

Se fosse para chorar, as lágrimas teriam que ser usadas em momentos realmente importantes.

Camila Alves sentiu o coração apertado vendo Ana Rocha daquele jeito, mas não sabia como consolar a amiga naquela situação.

Thiago Palmeira ficou parado na porta, observando Ana Rocha, apertando lentamente os punhos.

Desde que descobrira ser da família Palmeira, e começara a conviver com aquele círculo, seus valores tinham sido abalados inúmeras vezes. Ele não queria participação nos lucros, nem dinheiro, nem poder — só queria sentir o calor de uma família, queria ser reconhecido pelo irmão... Mas no fim, percebeu que todos ali estavam em constante disputa.

Agora sua situação era difícil, mas Samuel Palmeira passou tantos anos na família Palmeira, cresceu naquele ambiente... Como ele conseguira sobreviver?

Quanto mais pensava, mais Thiago Palmeira se solidarizava com o irmão Samuel Palmeira.

Aparentemente, vivera com dificuldades no vilarejo de pescadores, mas pelo menos as pessoas de lá eram simples e generosas; ninguém tramava pelas costas, às vezes até lhe ofereciam gorjetas às escondidas. O corpo se cansava, mas o coração permanecia aquecido.

E Samuel Palmeira? Nascido na família Palmeira, no meio de um redemoinho de intrigas em que até as ossadas eram devoradas — como sobrevivia? Seu aparente distanciamento e frieza eram apenas um disfarce.

— Thiago Palmeira, o jantar está pronto, onde você vai? — perguntou Camila Alves ao vê-lo sair, com o rosto sombrio.

— Depois do seu acidente, Rafael Serra bloqueou o dinheiro na conta pessoal; Salvador Serra não consegue mexer, ninguém consegue. Quando Rafael Serra e Salvador Serra romperem de vez, o responsável por trás vai agir — disse Ramon Domingos, em tom grave.

No esconderijo do escritório, Samuel Palmeira recebia cuidados de um médico de confiança da família, tratando feridas graves.

— Você realmente se arriscou... No velório, cheguei a acreditar que estava morto de verdade — comentou Ramon Domingos, resignado.

— Se não fosse convincente, não enganaria ninguém — respondeu Samuel Palmeira, em voz baixa.

— Já desconfia de alguém? — quis saber Ramon Domingos.

— Na família Palmeira, quem consegue passar informações, saber tudo sobre os passos do patriarca e nunca ser suspeito... Quem você acha? — a voz de Samuel Palmeira estava rouca.

— A pessoa em quem seu avô mais confia é o mordomo João Viana, pai da Luana Viana. Mas João Viana sempre foi bom com você, quase como um segundo pai. Ele te viu crescer, sempre achei impossível. No passado, eu suspeitei dele, pedi para investigar, mas você sempre disse que ele não seria traidor — Ramon Domingos franziu a testa, encarando Samuel Palmeira.

— Ele é um excelente ator, me enganou por anos... Mas se deixou trair, graças à filha tola e pretensiosa — Samuel Palmeira soltou um sorriso frio. — Para ser mordomo tantos anos na família Palmeira, não poderia ser uma pessoa comum.

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