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Quando a Lealdade Não Basta, É Hora de Partir romance Capítulo 398

Thiago Palmeira estava vivendo dias apertados. Apesar de ser o gestor do Grupo Palmeira, ele ainda não participava diretamente da administração da empresa por conta da idade e dos estudos. Os dividendos só eram distribuídos no final do ano, e, por ora, Thiago Palmeira não recebia salário algum.

Contudo, o garoto já estava acostumado com dificuldades, algo que as pessoas à sua volta pareciam ignorar completamente.

Eles pareciam pensar que, só por Thiago Palmeira ter tido contato com o luxo, ele fatalmente se tornaria ganancioso.

Felizmente, ele podia sempre se hospedar nos hotéis do Grupo Palmeira, e, de certa forma, sua moradia até melhorara.

Comia melancia encostado na janela panorâmica, tentando entender como, de repente, conseguia viver na cobertura do hotel mais luxuoso de Cidade M.

Ele, que crescera num vilarejo de pescadores, sem o carinho dos pais e tendo que "sustentar" a família desde pequeno, de repente se tornara o herdeiro do Grupo Palmeira, acima de todos.

Ao assumir o Grupo Palmeira, não achou que não era digno do cargo, apenas se preocupava em ter usurpado algo que originalmente pertencia ao irmão.

Todos estavam apostando. Achavam que Thiago Palmeira seria seduzido pelo brilho do luxo, que acabaria rompendo com Samuel Palmeira por causa da herança. Mas, para Thiago Palmeira, o que ele mais almejava era o afeto familiar.

Entretanto, aqueles que ocupavam o topo jamais entenderiam o que Thiago Palmeira realmente sentia, pois, para eles, laços de família não tinham valor algum.

— Thiago, onde você está morando agora? — Luana Viana ligou para ele. — Vamos sair um pouco? Estou com alguns amigos no Night, posso passar aí para te buscar.

Thiago Palmeira ia recusar, mas Luana Viana insistiu:

— Quero te apresentar uns amigos, todos são do círculo dos jovens ricos de Cidade M. Depois de se formar, você vai assumir o Grupo Palmeira, precisa conhecer esse pessoal. Samuel Palmeira tem vários amigos desse meio, você também precisa se integrar.

O tom de Luana Viana era de preocupação genuína, como se realmente quisesse o bem de Thiago Palmeira.

Após pensar um pouco, ele concordou:

— Tá bem, me passa o endereço que eu vou sozinho.

— Fica tranquila. Podemos não ser tão competentes no trabalho, mas destruir alguém, isso a gente sabe fazer — responderam, com sorrisos maliciosos.

— O Thiago Palmeira cresceu num vilarejo de pescadores, não tem muita experiência. A forma mais fácil de arruiná-lo é fazer com que ele adquira hábitos dos quais nunca mais vai se livrar, assim teremos uma arma antes mesmo dele assumir o Grupo Palmeira... — Luana Viana sorriu de lado, estalando os dedos. — Lembrem-se, é preciso acertar onde mais dói.

— Pode deixar — confirmaram, com risadas dissimuladas.

Do lado de fora, Thiago Palmeira já havia chegado e escutava tudo escondido junto à porta.

Até onde chegava a ingenuidade deles? Acreditavam mesmo que alguém vindo de um vilarejo seria fácil de manipular?

Esqueciam que Thiago Palmeira era meio-irmão de Samuel Palmeira. E Samuel, aquele verdadeiro mestre da astúcia, não teria um irmão tolo.

Com um leve sorriso irônico, Thiago Palmeira se dirigiu ao banheiro, já prevendo o que estava por vir.

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