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Quando a Lealdade Não Basta, É Hora de Partir romance Capítulo 394

Ana Rocha não sabia muitos detalhes sobre a família Martins, mas já ouvira algumas histórias. A família Martins havia construído sua fortuna através do comércio exterior, e os grandes portos de Cidade M e Cidade R eram herança dos antepassados deles.

Grande parte dos portos que operavam por conta própria, inclusive em outros países, pertenciam à família Martins, que tinha rotas de transporte extremamente eficientes.

Há mais de trinta anos, a maioria dos negócios de exportação do país dependia dos portos da família Martins, e eles enriqueceram extraordinariamente cobrando taxas sobre essas operações.

Mais tarde, o patriarca da família Batista construiu o maior porto de Cidade R no lado oeste da cidade. Depois que Samuel Palmeira assumiu o Grupo Palmeira, diversas rotas comerciais foram abertas no lado leste, pondo fim ao monopólio da família Martins no comércio de exportação.

Portanto, se formos analisar, a família Martins realmente tem motivos para guardar ressentimento contra a família Batista e a família Palmeira.

No entanto, nos últimos anos, a família Martins manteve-se discreta, praticamente sem contato com os Palmeira ou com os Batista.

— A situação da família Martins é bastante complexa. Se quisermos investigar, não será fácil — disse Samuel Palmeira, abraçando Ana Rocha para acalmá-la. — Não se preocupe, vou descobrir tudo o mais rápido possível.

— A Luana Viana certamente sabe quem está por trás disso — murmurou Ana Rocha.

Ela não expulsou Luana Viana imediatamente porque queria entender quais eram os planos e as intenções de quem estava por trás.

— Luana Viana é apenas uma peça pequena, ainda não tem acesso ao verdadeiro chefe — Samuel Palmeira afagou os cabelos de Ana Rocha. — Quem mais se comunica com ela é a Bai Yu, mas segui-la não trará grandes resultados. Mesmo assim, é bom ter cautela.

Ana Rocha ficou surpresa por um instante. Então Luana Viana era realmente só um peão; o maior “chefe” por trás dela seria mesmo Djalma Batista.

Franziu a testa. Já tinha clareza da situação: se Luana Viana não era de grande importância, não havia por que ter paciência com ela.

Era só encontrar uma forma de tirá-la do caminho.

Com um suspiro irônico, Ana Rocha se aninhou no colo de Samuel Palmeira.

— Essa Luana Viana deve ter algum problema sério, acha que aqui é a casa dela, ainda por cima quer calcular sua herança… Dá vontade de acabar com ela.

Samuel Palmeira não conteve o riso.

O bebê em seu ventre crescia a cada dia; logo sua barriga estaria visível e esconder a gravidez seria impossível. Samuel Palmeira havia acelerado seus planos por temer que, quando a gravidez fosse notada, aqueles que ameaçavam se voltariam contra Ana Rocha.

Samuel Palmeira preferia concentrar todo o perigo em si mesmo a permitir que sua esposa e filho corressem qualquer risco.

Noite adentro, em um clube privado.

Desde que se casara com Ana Rocha, Samuel Palmeira raramente frequentava lugares assim para encontros de negócios.

— Senhor Samuel, já fazia tempo que não o víamos. Com tantos problemas acontecendo, por que não nos avisou? Poderíamos ter ajudado — disse um dos presentes, em um encontro organizado por Rafael Serra. Havia quem expressasse amizade genuína, outros eram pura falsidade, mas Samuel Palmeira já estava acostumado com isso.

Ele brindou com todos e, em seguida, se afastou para atender uma ligação.

— Repararam? Samuel Palmeira está mesmo em baixa. Mesmo com toda aquela fortuna, não é mais o presidente confiante que comandava o Grupo Palmeira — cochichou um dos convidados. — Antes, ele jamais se misturaria conosco; nem sequer nos olharia, quanto mais propor um brinde.

— Pois é. O patriarca da família Palmeira transferiu todas as ações para aquele Thiago Palmeira, é claro que ele está mal. Além disso, praticamente todo o setor empresarial está boicotando Samuel. Quem se aproximar dele vai acabar mal também.

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