Enquanto todos se penteavam, se arrumavam e se acomodavam o que tinham que acomodar, os pacientes noivos estavam abraçados e sorridentes. Aldo não parava de abraçar, beijar e olhar para sua hoje esposa oficialmente diante de Deus.
— Senhora Pellegrini...
— Diga, senhor Pellegrini...
— Ainda não me mentalizo, mas acho que Solaria é um bom lugar...
— Como?
— Não estou acostumado a tanto trânsito, mas acho que é um bom lugar... Conheço Silveria, minha bela e fria Silveria, conheço Eslovênia e seus maravilhosos castelos, conheço Valoria e sua fabulosa comida, conheço os Emirados Árabes e todo seu esplendor, sinto que já conheço Solaria pelo que me contou e as fotos que me mostrou, mas...
— Mas?
— Bem, quero conhecê-lo melhor, quero conhecer a cidade, sua cidade, quero conhecer o mariachi, o pulque, a tequila, quero conhecer suas praias, seus vulcões, quero comer mais desses doces, por isso acho que Solaria será um bom lugar...
— Bom lugar para... Não me diga! Vamos de lua de mel para lá? — Disse Paloma surpresa.
— Não, meu céu... Não vamos de lua de mel lá, essa é e será uma surpresa.
— Então?
— Pois tenho pensado que gostaria de viver em Solaria, claro, sempre e quando você assim decidir, Enzo e eu, somos e seremos matéria disponível...
— É SÉRIO! — Respondeu quase gritando Paloma.
— Sim, suponho que sim, você ama seu país, ama sua vida lá e não quero mudar nada disso, eu posso trabalhar de casa, salvo uma vez ou outra que tenha que voar para Valoria ou onde seja alguma reunião.
Por parte de Enzo, sinto que vai sentir falta de Gio, por isso considero que se formos para Solaria todos seremos felizes ou me engano?
Além disso, agora que vai ser mãe, possivelmente vai precisar de sua mãe e de Camila. Não tenho coração para separá-la delas agora que mais vai precisar delas.
Paloma sentiu uma grande opressão no peito, não se tratava de tristeza, tratava-se de uma sensação que nunca havia experimentado. Se lançou aos braços de seu marido, o abraçou e puxou seu rosto para beijá-lo.
— Não sabe o importante que isso é para mim! Não sabe como me acabou de fazer feliz! — Disse Paloma com lágrimas nos olhos.
— Bem... Não posso levar todo o crédito, a verdade é que a ideia geral foi de Enzo.
— De verdade?
— Sim, ele me contou que você havia mostrado onde vivia e que, quase, quase brilharam seus olhinhos.
— Mostrei meu álbum de fotos da cidade de Solaria...
— A única coisa que ainda não consigo imaginar é minha vida dentro do trânsito, mas Enzo diz que há um metrô e que se move por quase toda a cidade.
— Enzo te disse isso...? Se me falou de pandas, doces, comida e mariachis... Diz que já pesquisou tudo, inclusive procurou algumas casas. Acho que aí sim foi onde o ajudei, já que ele havia escolhido o castelo de Chapultepec, esse expliquei que não estava à venda, esse é um monumento histórico muito importante do país.
— Sério pensava que era uma casa? — Perguntou Paloma surpresa.
— Bem, o caso é que Teodore quando vivíamos na Eslovênia, comprou algo parecido em tamanho...
— De verdade?
— Jamais fomos, mas se o visse ficaria para trás, aí é quando entendo quando Celeste se sentiu sozinha e fugiu... — Disse Aldo muito tranquilo. — Mas, então, já falando bem e sério, você o que acha se formos para Solaria?
— Eu estou e sempre estarei encantada onde estivermos todos juntos...
— Bem... Então Solaria será...!
— O que vai dizer seu pai? Não me imagino dizendo isso a Pietro...
— Ele já sabe...
— De verdade? O que disse?
— Nada... Só disse que era momento de que fizesse minha vida e se com isso, você e Enzo seriam felizes, ele não tinha nenhuma objeção. — Disse Aldo recordando aquela conversa.
--- Dias atrás ---
— Pai, tem um tempo livre? — Disse Aldo, entrando no escritório de Pietro.
— Diga...
— Quero conversar com você sobre um tema.
— Deixe mandar um dado a Teodore e sou todo ouvidos...
— É para a fusão?
— Sim... Ele está se encarregando da papelada, ultimamente o noto mais ativo...
— O homem anda apaixonado, isso tem...
— Seguramente... Sabe como vai Ali na universidade?
— Bem... Embora esteja se adaptando, o idioma está custando um pouco, mas é um garoto esperto. Comprou um tradutor enquanto aperfeiçoa seu valoriano.
— Já vejo, você e ele congeniaram bem...
— Sim, suponho que pela idade...
— Pronto! Agora sim, diga o que quer conversar... — Disse Pietro, recostando suas costas no assento e cruzando seus dedos.
— Pai, trata-se de onde viverei agora que me casei com Paloma.
— Bem... Quando minhas lindas criaturas, isto é, suas irmãs tiverem uns 15 ou 17 anos, não estou indo muito longe. Quando tiverem uns 13 anos, serão uns pequenos monstros... e por minha própria segurança, será melhor que a casa seja suficientemente ampla...
— Pai...!
— O quê? Por anos fui um completo mulherengo e isso me deu uma semelhança do que vai acontecer. Tecnicamente, vou ter 3 mulheres em casa, sabe o que vai ser para mim ser o único homem?
— Não, não sei...
— Bem, só posso dizer que tenho várias contas para pagar... — Disse sorrindo maliciosamente.
— Quer dizer que este era seu plano...
— Qual?
— Ir embora...
— Bem, filho, todos temos que avançar, você tem que avançar, Enzo nem sempre será criança, você nem sempre estará comigo, isso é parte de avançar, sempre vai ter que deixar algo para trás e, neste caso, filho... — Disse Pietro e colocou ambas as mãos nos ombros de seu filho. — É seu momento de avançar, é hora de que comece sua verdadeira vida, uma onde eu não vou estar olhando com lupa o que faz.
Agora vai ser companheiro, marido, pai e homem, agora será o combo completo e a única coisa que vai precisar será sua companheira de viagem e seus pequenos.
— Pai... — Disse Aldo e imediatamente abraçou Pietro.
— Anda! Não fique nostálgico, pelo menos não estou te lançando ao mundo sendo um adolescente, como foi meu caso. Já é todo um homem feito e direito, embora se algum dia precisar de um conselho, vai e procura Teodore...
— Pai... Ia tão bem...
— O quê? Tecnicamente, não tenho lembranças, praticamente tenho a mesma experiência que você. Normalmente, quando preciso de algum conselho, peço a ele ou a Magnus...
— Têm funcionado?
— Me vê sozinho e sofrendo?
— Não...
— Aí está sua resposta...
--- Atualmente ---
— Deus! A que horas com um demônio se fará a foto? — Escutou-se um grito irritado.
— Ei, vamos nos acomodar para a foto, não vá ser que seu pai termine perdendo sua pouca paciência e explodindo.
— É só que já está faminto! — Disse Paloma com uma risadinha cúmplice.
— Bem, bem, mas será melhor não nos arriscarmos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Prometo te amar. Só até ter que dizer adeus