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Proibida para Mim: Apaixonado pela filha do meu amigo romance Capítulo 125

Aurora Rossi

Fiquei em silêncio quando ele terminou de falar. E, por um momento, esse silêncio pareceu mais alto do que qualquer grito.

Meus olhos ainda estavam nele, mas a mente… estava em outro lugar. Rodopiando entre memórias. O toque das mãos dele nas minhas, os risos abafados nas ligações de madrugada, os planos sussurrados que pareciam promessas. E então, aquela imagem. A foto. A legenda. O soco no estômago.

Suzana colocou a mão no meu ombro, num gesto silencioso. Pietro apenas me encarou como se dissesse você decide. E então, eles saíram. O som da porta se fechando foi quase como um ponto final.

Ou um travessão, talvez.

Lorenzo deu um passo, hesitante, como quem se aproxima de um animal ferido. E eu era. Mas não dele.

De mim mesma.

Me afastei um pouco. Só o suficiente pra ele entender que ainda havia uma parede entre nós, mesmo invisível.

E então, falei. A voz saiu mais calma do que eu esperava, mas havia um peso ali que nem a melhor taça de vinho poderia dissolver.

— Sabe o que mais dói, Lorenzo?

Ele parou, atento. Os olhos castanhos mergulhados em culpa, esperança, e algo mais que eu não quis decifrar.

— É que naquela manhã, à beira do lago… eu pensei em me entregar a você.

Vi o susto passar pelo rosto dele. Não era uma confissão para provocar. Era a verdade. Crua.

— E não falo só do corpo. Eu falo do coração. De abrir tudo. De deixar você entrar sem reservas. Eu pensei que talvez fosse o momento. Que era ali que tudo começava, sabe?

Ele tentou dizer algo, mas ergui a mão, pedindo silêncio.

— E sabe o que é pior? Não me arrependo de não ter feito isso.

Desviei o olhar, sentindo os olhos arderem.

— Porque se eu tivesse me entregado, Lorenzo… hoje estaria doendo mais.

Aquela frase pairou no ar como névoa densa. Quente, amarga, impossível de ignorar.

Ele baixou os olhos, como se carregasse cada palavra minha como pedras nas costas.

— Eu… — ele começou, mas parou. A primeira vez que o vi sem saber o que dizer. O Lorenzo que eu conhecia sempre tinha uma resposta na ponta da língua, uma piada, uma saída. Mas agora ele só parecia… humano.

E eu estava exausta de dor. De traição. De me sentir uma opção.

— Você pode ter sido vítima de uma armadilha — continuei, com mais brandura, porque parte de mim acreditava. Queria acreditar. — Mas foi você quem aceitou o convite. Quem entrou no jogo. Você me deixou vulnerável, Lorenzo. E não avisou que o chão ia sumir debaixo de mim.

Ele se aproximou mais um passo. Dessa vez, eu não recuei.

— Eu não tenho desculpas, Aurora. Só escolhas. Ruins, estúpidas. Mas reais. E agora eu só posso fazer uma: lutar pra te recuperar.

Por um segundo, algo em mim vacilou. Lutei contra o impulso de abraçá-lo. De perdoar ali, na hora, só pra aliviar tudo. Mas não era hora. Ainda não.

— Então lute certo — sussurrei. — Sem me pressionar. Sem prometer mundos. Comece sendo alguém confiável. De verdade. Porque se um dia eu decidir abrir a porta de novo… vai ser por mim. Não por culpa, não por pena. E muito menos por saudade.

Ele assentiu, sério. Pela primeira vez desde que entrou, ele pareceu entender o que eu estava dizendo de verdade.

— Eu fico em Veneza. Até você decidir.

— Se isso for tudo o que eu puder fazer por você agora… então tá certo.

Olhei pela janela, e a cidade parecia suspensa em neblina. Veneza tem esse dom de parecer eterna, mesmo em ruínas. E, de certa forma, era assim que eu me sentia. Uma versão antiga de mim tentando renascer sem desabar por completo.

— Vai chover — comentei, mais pra mim mesma do que pra ele.

— Sempre chove aqui. — Ele sorriu de novo, e dessa vez teve algo de doce. Algo que me lembrou do Lorenzo do começo, quando tudo era leve.

Ficamos em silêncio por mais um momento. Mas era um silêncio diferente do primeiro. Não era o fim. Nem um recomeço. Era apenas… pausa.

Ele caminhou até a porta, e, antes de sair, virou-se uma última vez.

— Se algum dia… você sentir que pode me deixar entrar de novo — falou, baixo —, não precisa dizer nada. Só deixa a luz da sala dos seus pais acesa. Eu vou saber. Como quando eramos crianças e você tinha medo do escuro.

Assenti, sem prometer.

E então ele foi.

Fechei a porta com cuidado. Encostei a testa na madeira fria e respirei fundo. O cheiro dele ainda estava no ar, como memória teimosa.

Mas agora, o espaço era só meu.

Minha casa. Minha dor. Minha cura.

E, talvez, um dia, minha escolha.

Mas hoje, enfim, era minha vez de me escolher primeiro.

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