Vendo a expressão de Carlos mudar, Raulino perguntou rapidamente:
— O que foi? Aconteceu alguma coisa?
Carlos o ignorou e perguntou a Bruno:
— Cadê ele?
— Tá vindo pra cá.
Carlos estreitou os olhos.
— Deixa ele entrar.
— Entendido.
Carlos desligou. Raulino perguntou de imediato:
— Quem vem aí?
Carlos ficou em silêncio. Deu uma tragada no cigarro e perguntou a Raulino:
— Nesses anos que você morou na vila de pescadores, alguém foi te procurar?
— Foram. Gente da vila, de fora da vila, até gente da cidade indo lá em casa pra me arrumar casamento. Não me leve a mal, eu não andei flertando por aí. Eram as meninas que se interessavam por mim, mas eu nunca quis ninguém, recusava na hora. Se não acredita, pergunta pro meu pai e pra minha mãe.
— Além dessas pessoas, mais alguém foi te procurar?
Raulino olhou para ele com uma expressão inocente.
— Mais quem?
— Gente que você bate o olho e vê que não é boa bisca, ou alguém como eu, que logo que te vê já fala da Cepa G-8, ou do Waldir, ou que fala de mim.
Raulino franziu a testa de leve e balançou a cabeça.
— Ninguém. Só o pessoal da região, ninguém de fora foi me procurar. E quem ia também não falava disso, ou era por causa de casamento, ou era coisa de pesca.
— Tinha gente que ia... só pra pedir ajuda pra consertar eletrodomésticos.
— A vila de pescadores quase não tem jovem. A maioria saiu de lá, então a vila é cheia de gente de meia-idade e idosos. Quando quebrava alguma coisa, eles não sabiam consertar e vinham pedir a minha ajuda.
Raulino sabia consertar eletrodomésticos, Carlos sempre soube disso.
Quando se conheceram, Raulino já era bom com essas engenhocas.
Raulino dizia que uma das pessoas que o ajudava na época era dono de uma oficina de consertos, e ele tinha aprendido o ofício com ele.
Ele também dizia que esse dono era um cara muito importante, conhecido na região toda pela sua habilidade.
Há mais de vinte anos, a economia não era como hoje. Nem toda casa tinha máquina de lavar.
Muito menos gente pra consertar, às vezes não tinha nem um em várias vilas.
Raulino dizia que era esperto, capaz, aprendia rápido e o dono da loja gostava muito dele.
Chegou até a pensar em aceitá-lo como aprendiz para ajudá-lo a longo prazo.
Mas Raulino não gostava daquela área, então desistiu.
Depois de aprender um tempo com o dono, voltou a vagar por aí.
Essas coisas, o próprio Raulino que contava, não tinha como provar se era verdade ou não.
Carlos perguntou:
— Por que vinham pedir a sua ajuda com isso?
— Porque tinha pouco jovem lá, e eu era considerado novo. A vila quase toda é formada por gente com mais de sessenta anos.
— E como você sabe consertar?
Raulino pensou um pouco e balançou a cabeça de novo.
Carlos se virou e, antes que pudesse fazer qualquer movimento, Raulino se levantou rápido, abriu os braços na frente dele como um escudo e olhou vigilante para a janela.
— Quem tá aí?!
Uma figura preta pulou para dentro do quarto e parou perto da janela, observando Raulino e Carlos.
O invasor usava um agasalho esportivo preto, uma máscara preta, e tinha um corpo magro, lembrando um pouco o porte do Ivo.
Raulino estava alerta.
— Quem é você? Por que pulou a janela pra entrar?!
O outro não disse nada, e Raulino perguntou em voz baixa para Carlos:
— Carlos, você conhece ele?
Carlos não respondeu. Apenas olhou para a pessoa perto da janela e disse:
— Já que tá aqui, chega aí pra gente conversar. Tira a máscara.
O sujeito franziu a testa.
— Você sabia que eu ia vir?
Carlos não respondeu. Deu um peteleco nas cinzas do cigarro.
O recém-chegado baixou a guarda e caminhou na direção de Carlos.
Raulino continuava olhando para ele, cauteloso, e perguntou de novo:
— Carlos, você conhece?
— Você não conhece? — Carlos devolveu.
Ao ouvir isso, o sujeito percebeu e tirou a máscara.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Oops! O Ex é o Pai dos Quatrigêmeos!
A narrativa esta cansativa, toda hora surgem novos personagens mais a estória nao tem evolução e sempre o mesmo e só voltas e voltas sem desenvolvimento uma pena e um enredo interessante mas esta cansativa e longo demais...
nao tem mais ninguém lendo este livro. se nao tiver final nao leio mais livros ....
nao vao colocar maiis capitulos...
vão colocar final...
uma semana sem capítulos asim fica difícil...
nossa quando vão colocar os capítulos.e dar final....
nao estraguem o livro com estas gírias por favor...
nao gosto deste jeito de escrever.e ridículo...
ta demorando muito pra querida dar uma surra daquela olegaria .e está , Muller deve sr por isso que a sombra da isadora ta braba....
nao gosto desta linguagem .r ruim tao estragando o livro...