Ponto de Vista da Aubrey
"Você... do que está falando? A gente nem se conhecia antes de hoje, não é?"
O rosto de Shane estava branco de dor, os olhos turvos alternando entre o medo e a confusão.
Soltei uma risada gelada e não me dei ao trabalho de responder. Não valia a pena.
O olhar de Mateo passou por mim e recaiu sobre seus guardas. Com um gesto brusco, ordenou: "Arrastem os dois para fora. Quebrem os ossos deles um a um e interroguem até arrancarem tudo que sabem." Sua voz era fria como gelo. "E quando falarem... arranquem as línguas."
"Sim, Alfa," respondeu um dos soldados, apreensivo, antes de puxar Shane e o médico, que se debatiam em vão.
O que viria a seguir era problema interno da família Zach—não tinha mais nada a ver comigo. Dei meia-volta e saí. Mateo estava ocupado com o irmão e com os traidores, e não tentou me impedir.
Do lado de fora dos portões da propriedade Zach, o vento cortante invadiu minha gola como uma lâmina fina. Eu já tinha feito justiça com as próprias mãos. Shane pagaria um preço bem maior do que o que me causou.
Mas, ainda assim, não senti nenhum alívio.
Apenas um vazio gelado.
O mesmo frio da noite em que tudo desabou, uma sensação que gruda na pele e nunca vai embora.
Alfa Henry dirigiu todo o caminho de volta em silêncio, os dedos tensos no volante. Quando finalmente estacionou diante do meu prédio, murmurou um "Tchau" seco, quase imperceptível, e foi embora.
Não parecia mais o mesmo homem de antes da visita à casa de Mateo. Será que se assustou com minha frieza? Resolveu se afastar?
Melhor assim.
Não preciso da compaixão de ninguém. Nem de proteção. Se for para derrubar meus inimigos, farei isso sozinha.
Subindo as escadas, percebi um olhar insistente sobre mim. Sem dar na cara, virei levemente o rosto — e vi Bailey se escondendo atrás de uma árvore, como uma coelhinha assustada.
Bufei. Impaciente como sempre. Provavelmente tentou falar com Shane e, sem resposta, veio até aqui verificar se Mateo havia me matado. E agora, ao me ver voltando ilesa — acompanhada por ninguém menos que o Alfa Henry —, devia estar furiosa de inveja.
"Ele apenas enxergou a realidade," respondi com tranquilidade. Um alfa como ele não deveria se envolver com alguém como eu. E, para ser honesta... acho que já não tenho espaço para amar de novo.
O baile estava marcado para as sete.
Recusei a oferta do meu pai de me acompanhar e fui sozinha de táxi. No caminho, passei em casa e, aproveitando que ninguém estava, retirei um documento do cofre e coloquei na bolsa.
Ao chegar na propriedade Lynn, em vez de ser conduzida ao salão de festas, fui levada até uma sala de estar nos fundos.
A família Lynn estava toda ali, reunida em círculo, olhando para mim como hienas encarando um lobo solitário invadindo o território.
Meu pai não estava presente. Bailey e Aurelia estavam sentadas próximas ao patriarca da família, com aquele mesmo sorriso presunçoso.
Parecia mais uma emboscada do que um baile. Meu rosto gelou.
Soltei uma risada sarcástica. "O que foi? A família Lynn ficou tão falida que nem oferece cadeira para os convidados?"

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