Ponto de Vista do Narrador
Alpha Henry jamais imaginou que Aubrey fosse quebrar o anel.
Ele queria dar o anel para ela. Planejava deixar que a família Miguel a adotasse como filha de criação—assim, mesmo que ele morresse, ela viveria o resto da vida protegida, respeitada e intocável. Mas ela destruiu tudo.
Isso significava que ela o odiava agora. Completamente. Totalmente.
Era o que ele dizia a si mesmo que queria—mas o gosto amargo subindo pela garganta dizia o contrário. Era como se seu coração tivesse sido rasgado ao meio. Nem a morte parecia suficiente agora.
Mesmo assim, Alpha Henry ativou imediatamente seu elo mental.
"Mandem alguém levar Aubrey para casa. Ela é só uma ômega. Já foi ferida na Alcateia Stella. Agora está encharcada—vai acabar ficando doente."
O mordomo beta recebeu a ordem e correu até os portões da propriedade, parando Aubrey bem quando ela estava prestes a sair.
"Senhorita Aubrey, você está ensopada. Por favor—troque de roupa antes de ir."
Aubrey nem olhou para ele. Seu rosto estava fechado, olhos fixos à frente enquanto acelerava o passo, como se ficar mais um segundo ali fosse enlouquecê-la.
"Senhorita Aubrey!"
O mordomo entrou em pânico e se colocou à frente dela, bloqueando o caminho.
"Ok, ok—se não quiser trocar de roupa, pelo menos deixe que eu a leve. Só me diga para onde—"
Os olhos dela se voltaram lentamente para ele.
Sob o céu cinzento, o mordomo viu—ao redor das íris azul-gelo dela, um leve círculo avermelhado.
"Saia da frente."
A voz dela era fria, sem emoção.
O mordomo não desistiu. Levantou as roupas secas que tinha nas mãos.
"Senhorita Aubrey, pelo menos—"
Ela arrancou as roupas das mãos dele, girou o pulso—e jogou tudo no chão.
A chuva molhou tudo instantaneamente.
Enquanto o mordomo ficava ali, paralisado, Aubrey passou direto pelo monte de roupas e continuou andando.
Ela não queria nada da família Miguel. Nem carro, nem guarda-chuva, nem sequer um gesto de gentileza.
Pensou em como realmente cogitou dar outra chance ao Alpha Henry—e sentiu nojo de si mesma.
Ninguém sabia por quanto tempo ela caminhou. A família Miguel mandou outro carro atrás dela. Ofereceram carona. Depois um guarda-chuva.
Aubrey parou no meio da rua e deixou a chuva cair.
Ela não sairia dali enquanto eles não fossem embora.
Alpha Henry estava vomitando sangue. Mariana tinha sido arrastada e colocada em isolamento.
Em meio àquela névoa de dor, Henry percebeu o retorno do mordomo. Estendeu a mão às cegas—e agarrou o braço dele com uma precisão assustadora.
"Ela..." A voz de Henry saiu rouca. "Ela..."
O mordomo apertou a mão dele com força. "Alpha, não se preocupe. Eu—eu mandei o motorista levar a senhorita Aubrey para o hospital..."
Os olhos de Henry se abriram de repente.
As pupilas violetas perderam o foco por um segundo—depois se fixaram no mordomo.
"Você mentiu."
A voz dele estava quebrada, quase inaudível.
O mordomo hesitou. Então finalmente disse—engasgado, tremendo.
"A senhorita Aubrey não quis entrar no carro. Tentamos dar um guarda-chuva—ela recusou. Está andando na chuva..."
Ele nem terminou a frase antes que Henry tossisse mais uma vez, cuspindo sangue.
O rosto dele perdeu toda a cor.
Parecia um homem consumindo as últimas gotas de óleo da própria lâmpada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ômega renascida: Vingue-se como uma Alfa