Ponto de Vista da Aubrey
“Aubrey?”
A voz grave e autoritária de Henry invadiu minha mente justo quando minhas unhas cavavam uma quarta linha sangrenta na clavícula. Aquela única palavra, carregada de preocupação, caiu como um balde de água fria sobre minha consciência em chamas.
O que eu estava fazendo?
Eu... tinha aberto um elo mental com Alpha Henry. Estava prestes a pedir ajuda. A ele.
Não. Isso não.
“Já chega!” rugiu Ella dentro de mim, andando em círculos no plano espiritual, enfurecida. “Ele é nosso! Nosso parceiro! E se algo acontecer... que seja! Ele nasceu para estar conosco!”
Mas eu não podia. Não com Henry. Eu o amei uma vez. Com uma intensidade tão devastadora que ainda doía só de lembrar. Pedir ajuda agora era como tocar fogo em uma ferida aberta. Um risco que eu não podia correr.
O medo de ser queimada de novo era mais insuportável do que o calor no meu corpo.
Cortei o elo mental imediatamente.
Essa droga... se eu aguentasse só um pouco mais, conseguiria superar. Só mais um pouco...
Mordi o lábio até sentir o gosto metálico do sangue. Belisquei minha coxa com força até a dor me manter consciente, então cambaleei em direção à floresta, lutando contra o impulso animal que ameaçava tomar conta.
Ponto de Vista do Henry
O que, pelos deuses, ela estava fazendo?
Eu estava prestes a iniciar a avaliação dos guerreiros Beta quando senti o toque da mente de Aubrey na minha. Fraco, hesitante... mas real.
Ela me procurou. Ela.
Depois de dias rejeitando minhas chamadas, me ignorando como se eu não fosse nada — e agora isso?
Algo estava errado.
Mas, antes que eu dissesse qualquer coisa, o elo foi abruptamente cortado. Silêncio. Frio. Vazio.
Maldição.
A razão dizia para eu ficar. Eu era o Alfa. Tinha responsabilidades. Centenas me esperavam.
Mas meu instinto dizia o contrário. Um instinto primal, feroz, antigo — e impossível de ignorar.
Tentei reconectar o elo. Nada.
Minha visão escureceu.
Se alguém a estivesse machucando... se ela estivesse em perigo...
Corri. Voltei à forma humana no mesmo salto e a alcancei antes que ela atingisse o chão. Sua pele estava quente demais — queimava como febre. As bochechas coradas, a respiração acelerada, o corpo inteiro tremendo.
“O que aconteceu? Você está pegando fogo?” perguntei, preocupado. Lobos não adoecem com facilidade, mas ela... ela era diferente. Uma Omega sem lobo. Frágil, delicada.
“Alpha... Henry?”
Ela me olhou com olhos vítreos e úmidos — olhos que pareciam implorar. A voz saiu rouca, fraca, e quase me fez perder o equilíbrio.
E então ela me beijou.
Sem hesitação.
Os lábios dela tocaram os meus com uma urgência feroz. Quentes. Desesperados. Os dedos subiram pelo meu rosto, minha mandíbula, como se quisessem me marcar — me possuir.
Quando o beijo finalmente cessou, ela ficou ofegante, os olhos brilhando com obstinação.
“Alpha Henry... por que você não gosta de mim? É por causa da Mariana? Mesmo se for... esqueça ela! Eu não vou cancelar nosso noivado. Não vou te deixar! E mesmo que você me odeie, eu vou continuar me agarrando a você até que um dia... você me ame de volta!”
Merda.
A intensidade daquelas palavras bateu em mim como uma pancada seca no peito.
E por um momento, eu simplesmente... esqueci como respirar.

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