Ponto de Vista de Henry
Meia hora depois, o fogo finalmente se apagou.
Os corpos dos lobisomens do sul já tinham sido removidos. Quanto a Ulrich—aquele alfa astuto—ele conseguiu escapar misturando-se aos soldados comuns. Passou despercebido.
“Droga. Um dia, vou fazer ele sentir exatamente o que aquele vírus faz,” Callen rosnou fraco na minha mente, sua voz ficando cada vez mais distante.
Pressionei os lábios. Não respondi. Nem tinha certeza se viveria até amanhã.
Todo o tesouro que Ulrich deixou para trás em sua retirada—entreguei ao Stella Pack. Havia uma garota ômega chamada Alice que me marcou. Ela pediu se eu podia conversar com o alfa do Stella Pack—pedir para que as ômegas pudessem frequentar a escola e aprender habilidades de combate.
Concordei. Imaginei que, quando Aubrey soubesse, ela ficaria feliz.
Antes de partir, olhei para ela uma última vez. Ainda estava inconsciente, o rosto pálido marcado por sangue seco, respirando fraco mas constante. O médico lobo disse que ela sobreviveria—só precisava de tempo para se recuperar.
Me obriguei a desviar o olhar. Talvez fosse a última vez que a via. Se o vírus me dominar, prefiro que ela se lembre do Alfa que estendeu a mão para ela sob o luar, não de um cadáver apodrecido.
Ponto de Vista de Aubrey
Quando acordei, percebi que estava no centro médico do Shadowmoon Pack.
Tudo era familiar, mas também estranho. Como voltei? Quem me trouxe? Tentei chamar por Ella, mas ela continuava sumida—tempo demais. Nenhuma resposta.
“Deusa da Lua, você acordou!” uma enfermeira exclamou, correndo para o meu lado. “Seis dias! Você ficou em coma por seis dias inteiros!”
Esfreguei a cabeça, prestes a pedir mais detalhes quando a porta se abriu de repente. Meu pai entrou, alto e imponente.
“Aubrey! Graças à Deusa—você finalmente acordou!”
Atrás dele estavam Aurelia e Bailey, claramente ali para "visitar", com expressões de preocupação falsa.
Revirei os olhos e tentei falar—mas minha garganta ardia demais para dizer qualquer coisa. Só consegui ouvir.
“Olha só,” meu pai disse num tom meio repreensivo, “você saiu de férias e acabou caindo de um penhasco? Quase me matou do coração!”
Cai de um penhasco? Quem inventou essa desculpa? O Alfa Henry?
Pisquei, confusa, mas Bailey soltou um risinho agudo e disse com um tom de superioridade:
Mal pensei nisso e já tossi sangue.
O Alfa Henry me traiu.
E esse pensamento trouxe uma fúria inesperada—intensa, cortante, avassaladora. Superou até o ódio que eu sentia por Bailey.
Como ele pôde me decepcionar assim?!
“Aubrey!” meu pai gritou, correndo para chamar o médico lobo. O médico entrou apressado, mandou todos saírem e começou a me atender, limpando o sangue e checando meus sinais vitais.
Enquanto eu estava ali, fraca demais para me mexer, minha mente foi clareando aos poucos.
Não. Tem algo errado.
O Alfa Henry não é assim. Sempre foi direto—gosta ou odeia, sem meio termo. Ele estava atrás de mim, não estava? Não mudaria de repente desse jeito. Deve ter algo que eu não sei.
Seja qual for o motivo... preciso vê-lo.
Só assim vou descobrir a verdade.

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