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Ômega renascida: Vingue-se como uma Alfa romance Capítulo 107

Ponto de Vista de Aubrey

A luz da lua atravessava a fresta estreita entre as cortinas. Eu encarava a tela do meu celular, assistindo ao vídeo de desculpas da Mariana. Seus olhos cor de âmbar brilhavam com lágrimas, frágeis e sinceros. O vídeo já tinha ultrapassado dez milhões de visualizações, e os comentários estavam repletos de compaixão—"coitadinha", "ela merece perdão".

No vídeo, ela explicava tudo: como ameaçou Dane num momento de fraqueza, mas nunca levou adiante. Ela dizia que alguém próximo a ela ouviu, entendeu errado suas palavras e agiu por conta própria. Essa pessoa então a enganou, fazendo-a acreditar que Dane tinha concordado em vender a dança e, desesperada por fama, ela entrou na onda. Mas agora, ela mandou essa pessoa se entregar e se sentia profundamente culpada. Estava envergonhada por decepcionar os fãs e decidiu se aposentar.

Mariana pedia desculpas repetidas vezes, escolhendo bem as palavras. Disse até que, não importava onde Dane estivesse ou o quanto ele a odiasse, ela estava pronta para se redimir—se ele aparecesse.

Os lobisomens que a chamavam de monstro começaram a amolecer. Alguns voltaram a apoiá-la, dizendo que ela só foi levada pelo erro de um assistente tolo. Outros praticamente faziam fila para ser o novo assistente dela.

E graças à equipe de relações públicas trabalhando sem parar, a apresentação hackeada agora era vista como parte de uma grande conspiração.

Em menos de dez dias, Mariana passou de vilã a vítima—uma artista incompreendida, afastada do palco por conspiradores cruéis. O retorno dela foi magistral.

Não consegui evitar uma risada fria. Comparada à Bailey, Mariana sabia claramente como manipular a opinião pública. Ela não só revidou—ela reescreveu a história.

Deixei o celular de lado, sentindo que faltava algo.

Foi aí que percebi—meu celular estava silencioso. Silencioso demais.

Henry costumava ligar o tempo todo, mesmo ocupado. Eu sempre podia escolher atender ou ignorar. Mas agora, ele estava na Alcateia Stella há dez dias... e não ligou nenhuma vez.

Fiz bico e me joguei na cama, inquieta.

Então—de repente—meu celular tocou.

Era o Alfa Henry.

Dessa vez, não ignorei.

Atendi. "Alfa?"

Silêncio.

Sentei na cama, desconfortável, até ouvir uma risada baixa no alto-falante.

"Sentiu minha falta?"

A voz dele era rouca e suave, e algo em mim relaxou... mesmo com a testa ainda franzida.

"Não. Por quê?" respondi, ríspida.

Ele suspirou, como se já esperasse isso. "Tão sem coração... Mas eu senti um pouco sua falta."

As palavras dele, baixas e demoradas, ecoaram no meu peito como uma corda sendo tocada. Não respondi.

A voz dele ficou ainda mais suave.

Mas aquele sorriso? Não consegui tirar do rosto, por mais que tentasse. Até a Ella ria de mim na minha cabeça.

Ponto de Vista de Henry

O desligamento abrupto da Aubrey me irritou—mas não foi surpresa. Ela sempre me tratou assim.

Ainda assim, o fato de ela ter atendido de imediato?

Isso já era progresso.

Dei uma risada baixa.

Nesse momento, meu tenente se aproximou, com o rosto sério. "Alfa, talvez devêssemos recuar. Está perigoso demais aqui."

"É exatamente por isso que não podemos sair." Limpei o sangue do rosto e guardei o comunicador manchado de sangue na mochila. "A Alcateia Stella é nossa primeira defesa contra os lobos do sul. Não podemos perder."

Só quando cheguei à Alcateia Stella percebi o quão grave era a situação.

O alfa deles morreu de T-Flu, e o filho—com apenas treze anos—ainda nem tinha despertado o espírito do lobo. A alcateia estava em caos, dividida por disputas internas e pânico.

Pior, os lobos do sul rondavam, testando as fronteiras, esperando uma chance de engolir o território inteiro.

Se eu saísse agora, a Alcateia Stella cairia—e toda a região norte perderia sua linha de frente.

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