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Oito Segundos para o Arrependimento do CEO romance Capítulo 225

Na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital, o ar era cortante e altamente controlado. Daniel vestia o traje de proteção biológica completo e só teve a permissão de entrada concedida após passar por um rigoroso processo de esterilização na eclusa sanitária.

Ele caminhou com passos firmes até a cabeceira do leito de alta complexidade e pousou o olhar sobre Marília, que acabara de abrir as pálpebras. Os olhos da jovem estavam completamente marejados. Ao notar a silhueta dele, uma agitação tomou seu peito e ela tentou, com fraqueza, erguer a mão trêmula para afastar a máscara de oxigênio que cobria metade de seu rosto empalidecido.

— Estou aqui. Economize suas forças e diga logo o que precisa dizer — disse Daniel, inclinando ligeiramente o tronco para aproximar o ouvido da altura dos lábios dela, enquanto segurava seu pulso com suavidade para impedi-la de remover o suporte respiratório.

Marília forçou a voz, que saiu abafada e frágil por trás do acrílico:

— Daniel... o Ricardo... ele não chegou a machucar Alana?

— Não. Ela está segura — Daniel assentiu levemente, mantendo a voz firme para transmitir segurança.

— Então... você pode, por favor, perdoar a minha irmã? — implorou Marília, as lágrimas transbordando pelos cantos dos olhos, a respiração tornando-se perigosamente irregular devido aos soluços reprimidos.

Daniel observou de relance os monitores multiparamétricos interligados ao corpo dela, constatando que os sinais vitais, por ora, permaneciam dentro de uma margem de estabilidade aceitável. Ele fez uma pausa ponderada por alguns segundos antes de responder com extrema seriedade:

— Marília, nós só vamos discutir a situação jurídica da Mariela quando o seu quadro de saúde estiver totalmente estabilizado.

Marília balançou a cabeça com insistência sobre o travesseiro:

— Não... eu preciso da minha irmã aqui comigo.

— Então você deve se concentrar em se cuidar e colaborar com os médicos. Eu te prometo: se você lutar pela sua vida e se mantiver forte, eu darei um jeito de reunir vocês duas — Daniel a consolou, buscando acalmar o sofrimento da jovem. — Mas isso só vai acontecer contanto que você viva bem e resista.

Ao ouvir a promessa, uma centelha nítida de esperança brilhou no olhar opaco de Marília:

— Sério? Você realmente vai me ajudar a salvá-la da...

— Escute o que estou te dizendo: não gaste energia pensando nisso agora, tente descansar — Daniel a interrompeu com doçura, porém com autoridade, ajeitando com precisão a dobra do cobertor esterilizado. — Nós vamos planejar cada detalhe assim que você receber alta da UTI e todos os seus exames clínicos voltarem à total normalidade.

Sem forças para contra-argumentar e depositando toda a sua fé na palavra do CEO, Marília apenas assentiu debilmente com a cabeça:

— Tudo bem... eu vou resistir!

Após o breve diálogo, Daniel retirou-se dos limites da unidade crítica. Ele despiu o avental e as proteções descartáveis no expurgo, direcionou-se até a área externa da escadaria de emergência, acendeu um cigarro para dissipar a tensão e sacou o celular do bolso do paletó para discar diretamente para o ramal de seu assistente pessoal.

— O veredicto final do processo contra o Ricardo já foi formalizado pelo juiz?

Passava pouco das seis horas da manhã quando o assistente foi despertado pelo toque estridente do aparelho. Ainda tomado pelo torpor do sono interrompido, o assistente levou alguns segundos para alinhar os pensamentos e respondeu com a voz rouca:

— Ainda não, Chefe. O trâmite legal deve levar mais alguns dias para ser despachado pela comarca.

Os lábios finos de Daniel se entreabriram, liberando tênues fios de fumaça cinzenta contra o vidro da janela, enquanto ele ditava a nova ordem:

— Faça as articulações necessárias com o nosso corpo jurídico. Vamos adiar o andamento desse processo por tempo indeterminado.

— Entendido, Sr. Daniel. Vou cuidar disso agora mesmo — O assistente recuperou a lucidez instantaneamente, sentando-se na cama. Ele conhecia o padrão de comportamento de seu superior; se Daniel estava travando uma ação daquela magnitude, um fato de extrema gravidade nos bastidores havia ocorrido.

Mais tarde, na ala VIP, Alana não escondeu a surpresa ao ver Daniel retornar ao quarto de hospital de forma tão célere. Logo em seguida, um funcionário da mansão central trouxe os recipientes térmicos com o desjejum enviado pela família Craig. Daniel sentou-se à mesa e tomou o café da manhã na companhia da esposa, mantendo a rotina habitual de silêncio compartilhado.

Ao contrário do primeiro dia, onde o entregador havia cometido a falha de esquecer os talheres adequados, desta vez a cutelaria e as louças estavam perfeitamente completas. Alana já não necessitava que ele a alimentasse na boca; utilizando a mão esquerda com cuidado, ela conseguia manejar os utensílios e comer sozinha.

Ela tomava goles lentos da sopa nutritiva, uma fina camada de suor cobrindo a ponta de seu nariz devido ao calor do caldo, com os pensamentos nitidamente distantes. No meio da refeição, a inquietação falou mais alto e ela quebrou o silêncio:

— A Marília... ela está fora de perigo?

— O quadro está sob controle, ela já recobrou a consciência nas primeiras horas do dia — Daniel percebeu a tensão velada nos ombros dela e acrescentou: — Não carregue uma culpa que não é sua, Alana. Eu vou gerenciar toda a situação clínica e familiar dela.

Ele conseguia ler as entrelinhas de seu comportamento; sabia que ela carregava o peso psicológico do confronto e que se culpava internamente pelo colapso cardíaco da jovem.

Um sentimento morno e inesperado preencheu o peito de Alana ao perceber que, contrariando seus piores temores, ele não a estava responsabilizando pelo incidente. Talvez por ter sido psicologicamente subjugada e mantida sob a imponente sombra dele durante os dois anos de casamento, ela alimentava a crença inconsciente de que, em qualquer cenário de crise que envolvesse o passado dele, Daniel jamais escolheria apoiar as suas razões. Mas desta vez, as engrenagens pareciam operar de forma diferente.

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