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O Segredo por Trás da Traição romance Capítulo 17

Luna ficou encostada na parede, segurando o celular, ouvindo-o dizer todas aquelas palavras doces para Catarina ao telefone. Cada segundo era uma tortura para ela.

Ela percebeu que não tinha coragem de continuar ouvindo.

Covardemente, ela desligou a gravação e se afastou.

Mateus não demorou muito. Ao voltar para a sala de jantar, viu-a de cabeça baixa, enxugando os olhos, e se aproximou apressadamente.

— O que aconteceu?

— Acidentalmente, espirrou óleo no meu olho, não consigo abrir.

Mateus franziu a testa, sentou-se na cadeira ao lado dela, segurou seu queixo com urgência e agarrou sua mão que esfregava o olho.

— Deixe-me ver, não esfregue!

Mesmo com os olhos fechados, era possível ver o quão inchados estavam.

— Você é boba? E se machucar seu olho? — O tom de Mateus misturava uma repreensão preocupada com ternura. Ele enxugou suavemente as lágrimas da bochecha dela com o polegar. — Vamos, vamos lavar isso.

Os lábios de Luna se moveram, mas nenhum som saiu.

Com os olhos fechados, embora não pudesse ver sua expressão, ela sentia de alguma forma sua genuína preocupação e ansiedade.

Após alguns passos, seu corpo foi subitamente erguido do chão.

Mateus a levou no colo até o banheiro, molhou uma toalha com água morna e limpou seus olhos com delicadeza, cada movimento cuidadoso, como se estivesse lidando com um tesouro raro.

Ele sempre a tratara assim.

Fosse para secar seu cabelo, massageá-la, lavar suas mãos ou seus pés, e até mesmo remover sua maquiagem ou maquiá-la, ele sempre era paciente. Mesmo que não soubesse fazer algo, estava disposto a aprender por ela.

Mas como ele conseguia, um segundo depois de consolar outra mulher, demonstrar uma preocupação tão sincera por ela?

Mateus tocou sua sobrancelha.

— Consegue abrir?

Luna tremeu os cílios e abriu os olhos lentamente, encontrando o olhar profundo dele.

— Melhorou?

— Sim.

Mateus suspirou, resignado, e sussurrou:

— Seus olhos estão inchados. Peça para a Dona Ana cozinhar dois ovos para você passar neles. Tome mais cuidado da próxima vez.

Luna o encarou, sem conseguir detectar qualquer sinal de falsidade.

Ela concordou com um murmúrio e deixou que ele a conduzisse de volta à sala de jantar. Dona Ana já havia aquecido a comida que ele trouxera.

Aqueles três lanches haviam estado presentes em toda a história deles, do namoro ao casamento.

Uma era a mais bela do departamento de artes, o outro, o mais cobiçado do departamento de finanças.

Até mesmo a forma como se conheceram foi meticulosamente planejada por Mateus, que depois a cortejou de forma intensa e extravagante.

Naquela época, Mateus era vibrante e radiante.

Quando jogava basquete, uma multidão de três fileiras se formava ao seu redor, e a universidade estava cheia de admiradoras secretas e declaradas.

Agora, após anos no mundo dos negócios, ele se tornara mais reservado e elegante. A sombra do jovem que fora um dia havia se desvanecido com o tempo.

Luna desviou o olhar, escondendo a melancolia. Olhou para o peixe em sua tigela, que ele havia limpado para ela, e não aceitou nem recusou a proposta.

— O museu está muito ocupado, não sei se terei tempo.

— Tudo bem, sem pressa. Quando você confirmar, eu respondo a eles.

— Certo.

Depois do jantar, Dona Ana trouxe dois ovos cozidos. Mateus os pegou e a fez sentar no sofá.

— Feche os olhos.

— Eu mesma faço…

— Obedeça.

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