Ombros largos, cintura fina, pomo-de-adão saliente e uma pequena pinta preta logo abaixo da clavícula direita.
Mateus também gostava de se exercitar e tinha um bom físico. Luna franziu os lábios e, quando estava prestes a desviar o olhar, notou o ferimento nas costas dele.
Na omoplata direita, havia uma grande mancha roxa, com alguns arranhões.
Os ferimentos mais graves, no entanto, estavam na parte inferior das costas, perto da cintura, e no antebraço.
Ela franziu a testa imediatamente.
— O que aconteceu com vocês dois? Sofreram um acidente de carro? Por que está tão grave? — A enfermeira, ao ver os ferimentos, respirou fundo, perdendo o interesse em admirar o físico dele. — Venha, vamos desinfetar primeiro. A área é grande e vai doer um pouco, tente aguentar. Segure a mão do seu namorado, não o deixe se mexer.
Namorado?
Luna abriu a boca para falar. A enfermeira já havia preparado tudo. Ela olhou instintivamente para Lucas, que também a olhava.
Seus olhares se cruzaram.
Todas as emoções se dissiparam e se ocultaram naquele instante.
Lucas esclareceu, com a voz calma e sem emoção: — Nós não somos namorados.
Luna, com uma expressão natural e serena, acrescentou: — Apenas amigos.
— Não preciso segurar.
A mão que Luna estendia parou no ar. Sem dizer nada, ela a recolheu.
A enfermeira olhou para sua expressão calma e impassível e, por um momento, ficou surpresa. Então não eram namorados.
Ela o advertiu em voz baixa: — Mas vai doer muito.
— Eu sei.
A enfermeira, vendo que sua expressão não mudava e que ele mantinha o braço firme, começou a aplicar o antisséptico na ferida.
Luna observou sua expressão de perto. Realmente, ele não se alterou, nem sequer piscou. Vendo que ela o encarava, ele ergueu levemente as pálpebras e olhou para ela.
— Segure a mão da sua namorada. É a quarta vez que a agulha sai da veia, a mão dela ainda está inchada. Daqui a pouco, não sei mais onde vou conseguir furar.
Catarina também ficou surpresa, mas ao ver Lucas, também sentado em um leito de hospital e sem camisa, um lampejo de prazer maldoso e expectativa animada cruzou seu rosto frágil.
Ela esperava que fosse a própria Luna a rasgar o véu da mentira.
Ela mal podia esperar para ver Luna chorando, incrédula, perguntando a Mateus por que ele a traiu, para ver sua expressão de dor e desespero.
Seria um espetáculo.
Luna deu dois passos à frente, com um leve sorriso nos lábios, mas com um olhar gelado. — Que coincidência. Vocês dois não se encontraram por acaso de novo, não é?
Um traço de constrangimento passou pelos olhos de Mateus, mas sua expressão facial logo voltou ao normal. Ele se apressou em segurar a mão dela. — Querida, não é nada disso que você está pensando, nós...
— O que eu estou pensando? — Luna puxou a mão de volta, apontando para a enfermeira, com os olhos vermelhos. — Eu mesma ouvi ela dizer que você era o namorado dela.
Ao ver seus olhos avermelhados, o coração de Mateus doeu. Ele tentou segurar a mão dela novamente, explicando em voz baixa: — Foi um mal-entendido dela. Uma outra enfermeira veio antes e nós já explicamos. Não chore, querida.
Seu olhar de soslaio captou Lucas, sem camisa, recebendo tratamento. Seus olhos se escureceram instantaneamente, suas sobrancelhas se uniram, e sua expressão tornou-se fria.
Luna ignorou o olhar dele e continuou: — É mesmo? E por que você está no hospital? Não acredito que tantas coincidências aconteçam com vocês dois. Da outra vez no restaurante, agora no hospital. Como você explica isso?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Segredo por Trás da Traição
Porque não abre os capítulos? Que chato,não quer liberar? normal, é só não disponibilizar, mas já que disponibilizou libera os capítulos....