NARRADORA
Rousse decidiu se aproximar.
Parecia que o bicho estava sofrendo.
Puxou a adaga da bota, tão grossa que parecia uma pequena espada.
Ia lhe dar um fim piedoso.
Mas quando o animal escutou o estalo das pedras sob os passos dele, virou-se alerta.
Deusa… a frente era ainda pior.
Os olhos sem pálpebras, o focinho como se tivesse sido mordido em pedaços que já nem estavam ali.
Mostrava os dentes, ameaçador, hostil.
— Calma, só quero ajudar, entendeu?
Rousse falou com sua voz rouca.
Sabia muito bem que o bicho não ia entender — era um animal selvagem.
Já estava preparado pra levar umas mordidas… e foi isso mesmo que aconteceu.
Quando deu mais um passo, o animal pulou pra mordê-lo no bracelete de couro que ele usava no braço.
Rousse levantou a adaga, pronto pra acabar com aquilo rápido e com misericórdia, mas ficou surpreso ao olhar nos olhos do animal.
As pupilas tinham ficado completamente brancas, como se ele tivesse ficado cego de repente.
O olhar durou só um segundo, mas Rousse sentiu o medo vindo da criatura.
Algo ao redor do lobo vibrou... algo que não parecia natural.
Ele já tinha convivido demais com magia pra não reconhecer um feitiço.
O animal nem tentou continuar o ataque, só queria assustar e fugir.
Rousse não hesitou em segui-lo floresta adentro.
Tinha um forte pressentimento de que aquilo o levaria até as bruxas — e não estava enganado.
Só que nada o preparou pro que presenciou a seguir.
Aquele corpo pobre já era um cadáver que nem mesmo a magia conseguia manter de pé.
Caiu no chão, se desmanchando em pedaços, e dele se desprendeu uma névoa negra.
Uma nuvem tóxica de calamidade que rastejava pela terra.
Rousse ficou paralisado ao ver aquela neblina se materializando em forma de mulher.
Ela se arrastava pelo chão com muito esforço.
Era pequena, usava um vestido branco cheio de flores e tinha o cabelo loiro com mechas cor-de-rosa.
Se encostou num tronco, ofegante, com a cabeça baixa.
Começou a rasgar a barra do vestido com as mãos trêmulas.
O que ela estava fazendo exatamente?
Rousse hesitou por um segundo, apenas ouvindo o coração dela bater apressado.
A respiração acelerada enquanto ela colocava o pano no rosto e amarrava atrás da cabeça.
Definitivamente, ele tinha encontrado uma feiticeira.
Guardou a arma e começou a andar devagar, passando por cima do lobo agonizante.
Sua mente fervia — era péssimo pra conversar com mulheres.
— Oi...
Falou o mais baixo que conseguiu, mas mesmo assim viu o corpo dela estremecer de medo.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Rei Lycan e sua Tentação Sombria
Eu tava no 334 do REI LYCAN E SUA TENTAÇÃO SOMBRIA, resolvi voltar no capítulo anterior e agora, apresentando o bilhete hoje de cobrança mas num deixa abrir. Da erro...
Pq aqui nesse livro vc não pode voltar num capítulo que já leu?...
Comprei o capítulo e não consigo ler porquê?...
Eu queria continuar lendo...