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O Rei Lycan e sua Tentação Sombria romance Capítulo 673

VICTORIA

—Rousse, você tá bem?

Me levantei do chão, ainda meio zonza.

A sensação de cair e girar sem parar tinha sido horrível.

—Sim, senhorita Victoria.

A voz rouca dele respondeu.

Ele também se ergueu do chão, com mais de dois metros de altura, me cobrindo com sua sombra intimidadora — como tudo nele.

O capuz preto que ele sempre usava caiu pra trás, revelando o cabelo grisalho.

Os olhos, na mesma tonalidade acinzentada, quase brancos, me encararam sem piscar.

Tô mais que acostumada com os não mortos, mas o Rousse ainda impõe respeito... até pra mim.

Sempre vestido de preto, forte, sério, com aquelas cicatrizes profundas cruzando o corpo pálido.

—Onde você acha que a gente tá?

Perguntei, analisando o beco onde a gente tinha caído.

O lixo fedia e se acumulava em montinhos pelas bordas.

A gente tava cercado por paredes escuras e imundas.

—Nunca estive num lugar assim no nosso reino.

—Acho que não estamos em casa, Rousse —falei, franzindo a testa—. Vamos explorar.

Decidi, puxando o capuz pra cobrir também minha cabeça.

Saímos andando até a rua onde o beco desembocava.

—Eca, ratos —fiz uma careta de nojo e chutei um dos bichos.

Pra minha total surpresa, assim que ele caiu atordoado na rua, não durou nem um segundo.

—Pega logo!

—Tá enorme, que sorte!

Fiquei parada na esquina, perplexa, ao ver um grupo de crianças se jogar em cima do bicho.

Pegaram ele juntas, rasgando tudo na hora.

Com as mãos sujas e vestidas de trapos.

A camada de sujeira mal deixava ver a cor real da pele.

Devoraram o animal, arrancando a pele, bebendo o sangue...

Eram vampiros.

Eu percebi na hora, só de ver como bebiam com vontade, com aquelas presinhas afiadas e os olhos vermelhos.

Deusa... onde a gente tinha ido parar?

—Não se afaste de mim. Não conheço nada disso aqui... e não gostei do clima.

Rousse falou, os olhos quase brancos brilhando sob o capuz escuro.

A gente foi caminhando pelos paralelepípedos pretos, sob uma noite pesada com fumaça sufocante.

Entre sons de água suja pingando e becos estreitos.

Os prédios pareciam prestes a desabar, e em cada esquina tinha sombras agrupadas, rostos suspeitos.

Nos encaravam estranho, mas o tamanho e o porte do Rousse os fazia recuar.

Quanto mais eu via os detalhes daquela cidade cinzenta, mais tinha certeza da pobreza extrema ali.

Até que vimos um grupo de pessoas correndo pra algum lugar.

—O Lord vai passar aqui! Talvez joguem alguma comida! Rápido, rápido!

Escutamos eles falando entre si.

—Rousse, vamos ver o que tá acontecendo —falei, indo na direção por onde o povo corria.

Apertei bem o capuz e nos enfiamos no labirinto de casas, subindo num telhado.

Lá embaixo, já se juntavam dezenas de criaturas.

Eu sentia — eram todos vampiros. Uns puros, outros mestiços... mas todos vampiros.

A rua larga ficou vazia. Tavam esperando algo.

Escondidos na sombra de uma chaminé preta, enfim descobrimos o que causava tanto alvoroço.

O som de cavalos galopando surgiu do nada.

189. CONHECENDO O LORD DOS LOBOS 1

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