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O Rei Lycan e sua Tentação Sombria romance Capítulo 642

NARRADORA

Cedrick Walker jamais imaginou que hoje enfrentaria uma provação tão dura e decisiva.

Sua consciência se diluía, sentia que perdia o controle do próprio corpo, a conexão com seu lobo, preso dentro da própria existência.

Mas um desafio constante o mantinha em movimento.

Permitia que queimasse aquela energia tão viva e agressiva que ardia em suas veias — a magia de uma besta poderosa.

A vontade de se render o seduzia cada vez mais. Só desistir, descansar... se perder no nada.

“E você se chama de Rei? Não passa de um fracote!”

“Vamos levar sua mulher pra cruzar com um dos nossos machos!”

“NÃO, NÃO COM A MINHA FÊMEA!” ele rugiu, respondendo às provocações que se infiltravam em sua mente.

“Amor, luta! Volta pra mim, Cedrick!” Essa era a voz de sua companheira, sua Raven. Ele não podia ceder. Se dormisse agora, jamais acordaria desse pesadelo.

Agarrou o fio do destino que o ligava ao seu lobo, e seus corações ressoaram em união, como um só ser.

“RRROOAAAARRR!”

Erguendo o focinho ao céu, a gigantesca besta do Rei Alfa rugiu com poder.

Se transformou em um lycan branco como a neve, com pelos brilhantes e olhos vermelhos como rubis.

Ao seu lado, erguiam-se mais duas bestas, exibindo os enormes caninos salientes.

Uma de pelo negro — Vincent, o companheiro da princesa Amber — e outra dourada como o sol, com os olhos selvagens de Hakon, o Alfa do Pântano.

Cedrick viu pela primeira vez através dessa visão aprimorada. Abriu e fechou as patas enormes, com garras letais.

A força imponente bombeava forte em seu coração.

Avistou o lycan parado à sua frente — sombrio e letal.

“Bem-vindo ao meu mundo, Cedrick Walker.”

Aldric estendeu o antebraço num cumprimento fraterno entre guerreiros.

Cedrick retribuiu com um aperto firme.

Os dois colossos apertaram as mãos num pacto que duraria para sempre.

“Aldric Thorne, obrigado pela sua ajuda. Estarei em dívida eterna por esse ato. No meu continente, você sempre terá um aliado”, disse com voz gutural, e Aldric assentiu, olhando direto em seus olhos.

Viu em Cedrick a coragem, o respeito e a admiração que despertava em seu povo.

Era um bom líder, um macho de família, e precisava admitir que gostava disso.

— Cedrick! — depois do breve momento entre eles, o Rei Alfa correu até sua mulher.

Seus passos retumbavam pesados, ainda se acostumando com os músculos e o esqueleto maiores.

“Amor, estou bem... não chora, minha Rainha. Está tudo bem.”

Com muito cuidado, embalou a pequena Centuria contra o peito coberto por pelos espessos.

Raven mal era visível, aconchegada contra aquele lycan enorme.

Seus olhos vermelhos e úmidos, os punhos agarrados ao pelo macio, sentindo o cheiro do seu companheiro.

Por um segundo, a marca em seu pescoço doeu tanto que ela achou que o tinha perdido.

“Eu sei que foi por um bem maior, mas não quero sentir isso de novo nunca mais, nem por todo o poder do mundo” — suas mãos pequenas acariciaram o focinho grotesco diante de seu rosto feminino.

A pontinha preta do nariz tocou seu rosto com carinho, recolhendo suas lágrimas.

“Algo tão incrível assim só acontece uma vez na vida, minha Centuria. Isso só prova que existe um universo além do pouco que conhecemos.”

Cedrick respondeu apertando-a contra si com todo seu amor.

Apesar do momento perigoso, seu coração de guerreiro se sentia em paz.

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