KATHERINE
Essa era a situação mais bizarra e insana de toda a minha existência.
No entanto, eu começava a perceber que ele não parecia querer me machucar, ou seja, quanto mais ele precisava me lamber e farejar para finalmente me dar uma mordida?
Ousei abrir uma fresta dos meus olhos; só via pelagem escura à minha frente.
Meu coração batia acelerado, e senti o sopro quente e úmido do seu nariz... dentro do meu decote.
Fiquei sem palavras. Será que escapei de um pervertido apenas para encontrar outro?
Uma ideia absurda passou pela minha mente atordoada: eu precisava sair dessa situação, encontrar Lavinia; se ele ia me devorar, que fizesse logo de uma vez.
Minha mão trêmula foi subindo centímetro a centímetro; eu me sentia tão pequena com essa enorme besta pairando sobre mim.
Meus dedos se moviam incontrolavelmente, aproximando-se do... do... Onde eu o tocaria?
No focinho? Não, não. E se ele abrisse a boca de repente? A lembrança daqueles caninos, da carnificina, ainda estava muito fresca na minha mente...
Não alcançava as orelhas, muito altas. O pescoço?
Quando finalmente me decidi a tocá-lo, a poucos milímetros de distância, ele levantou a cabeça gigantesca e voltou a me encarar intensamente.
Juro que faltou muito pouco para eu fazer xixi de tanto medo. Minha mão congelou no ar, eu nem sequer conseguia respirar fundo.
Eu tinha medo e, ao mesmo tempo, milhares de sentimentos estranhos que não sabia definir.
Como em câmera lenta, o vi observando minha mão, que tremia tanto que parecia acenar um “adeus” involuntário.
Ele se inclinou lentamente em direção a ela. Seus olhos de rubi me analisavam, e depois fixaram-se na minha mão.
Pensei em abaixá-la, temendo que ele a arrancasse de uma vez.
Meus olhos desviaram para um braço ensanguentado jogado ao lado, e o pânico superou minha coragem mais uma vez.
Porém, antes que eu começasse a gritar feito uma louca, senti algo macio e fofo se pressionar contra minha palma suja e coberta de sangue seco.
Aquela criatura indomável esfregou suavemente a lateral do focinho poderoso, como se estivesse pedindo carinho, igual a um animal de estimação.
Me atrevi a cometer mais uma loucura.
Comecei a passar os dedos rígidos por seu pelo denso e escuro, entrelaçando-os pouco a pouco, ganhando mais confiança.
— E... Elliot? — seu nome escapou quase como um sussurro.
Elliot era um lobisomem. Nunca tinha visto um transformado antes.
Eles eram assim? Agora entendia por que os elementais os temiam tanto.
Ele resfolegou um pouco, parecia irritado.
Sua longa língua começou a lamber os arranhões nas minhas mãos, entre os dedos, me enchendo de saliva quente, que apesar de pegajosa, amenizava a dor.
Coçava um pouco, mas acalmava as feridas.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Rei Lycan e sua Tentação Sombria
Eu tava no 334 do REI LYCAN E SUA TENTAÇÃO SOMBRIA, resolvi voltar no capítulo anterior e agora, apresentando o bilhete hoje de cobrança mas num deixa abrir. Da erro...
Pq aqui nesse livro vc não pode voltar num capítulo que já leu?...
Comprei o capítulo e não consigo ler porquê?...
Eu queria continuar lendo...