POV DARIUS.
Eu estava exausto. A batalha havia sido intensa, mas conseguimos exterminar todos. Meu corpo ainda pulsava com a energia da luta, mas minha mente estava em outro lugar. Em Alice.
Desde que descobri sobre a gravidez, minha mente não tinha paz. Eu a mandei embora, cego pela dor e pela raiva, mas agora sabia que tinha cometido o maior erro da minha vida. Como pude afastar minha companheira e mãe do meu filhote? Eu deveria ter ouvido meu coração, não meu orgulho. E agora temia que fosse tarde demais.
— Deveria ter escutado seus lobos. Falamos para não fazer essa estupidez, mas você não ouve. — Disse Baltazar, mentalmente me infernizando.
— Não adianta falar com esse cabeça-dura, lobinho. Darius é um rei alfa supremo muito teimoso. E agora fica lamentando. — Comentou Necro, sua voz ecoando na minha mente.
— Por que os dois não se calam? Eu não preciso que fiquem tripudiando sob minha dor. — Falei irritado. Assim que constatei que tudo havia acabado, voltei à mansão. Precisava tomar um banho e aguardar o retorno dos meus pais e Alice.
Meus pais surgiram na sala de estar da mansão pouco depois que entrei. Eles simplesmente apareceram do nada. Soube que era obra de Alice. Olhei em volta e não vi minha companheira. Olhei para meus pais. E meu pai parecia impressionado, já minha mãe tinha um olhar afiado e irritado. Pelo jeito, a conversa que tiveram com Alice não foi exatamente como esperado.
— O que aconteceu? Onde está Alice? — Perguntei direto, sem rodeios. Minha mãe cruzou seus braços e me olhou com uma expressão dura.
— Primeiro, você deveria se ajoelhar, agradecendo à deusa Lua por Alice não ter nos desintegrado quando seu pai falou o que não devia. — Disse mamãe. Meu cenho franziu; eu estava confuso.
— O que quer dizer com isso? E que história é essa de desintegrar? — Perguntei, não entendendo nada. Meu pai sorriu de leve, balançando a cabeça.
— Sua mãe quer dizer que cometi um erro ao dizer que você queria o filhote e não necessariamente Alice. — Disse meu pai, coçando a cabeça, apreensivo. Rosnei, sentindo um incômodo crescer em meu peito.
— Você disse o quê? — Perguntei, furioso.
— Foi um erro! — Ele levantou as mãos. — Mas sua mãe consertou tudo. — Disse meu pai. Minha mãe bufou.
— Ela não acreditou em nós. Disse que, se você a quisesse de volta, deveria ir pessoalmente e dizer isso olhando em seus olhos. — Contou minha mãe.
Algo dentro de mim se aqueceu ao ouvir essas palavras. Alice ainda me daria uma chance. Mas eu sabia que não poderia simplesmente chegar lá e exigir que voltasse. Eu precisava mostrar a ela o que realmente sentia, provar que me arrependia.
— Isso mesmo, nada de cometer erros agora. — Falou Baltazar na minha mente.
— Baltazar está certo. Acho que você deveria deixar eu ou Baltazar falássemos com Alice. Ela vai nos escutar e não vamos cometer erros. — Disse Necro.
— Deixe que da minha companheira cuido eu. — Falei para meus lobos intrometidos.

— Sua mãe está certa. Não pode aparecer nesse estado na frente da sua companheira. — Falou meu pai, concordando com minha mãe.
— Eles estão certos. Não pode aparecer no sítio todo sujo e fedendo. — Falou Baltazar.
— Isso mesmo. Assim, você acaba com nossa fama de limpinho e cheiroso. Alice adora nosso cheiro. Seja esperto, estamos indo reconquistar nossa companheira. Nada pode sair errado. — Disse Necro.


Quando alcancei o sítio, parei e me transformei. Não pensei duas vezes e entrei, empurrando a porta com um pouco mais de força, pois estava trancada. Segui seu cheiro até o quarto e abri a porta. E lá estava ela. Linda, serena, sentada em sua cama.
— Olhe direito. Ela não parece nada serena. — Disse Necro, apreensivo. Verdade, Alice me olhava com surpresa e irritação, talvez por ser acordada.
Por um momento, somente a observei. Meu peito subia e descia rápido, com minha respiração descompassada. Ela me olhava e vi a tensão em seus ombros. Mas também vi algo mais. Algo que acendeu uma faísca de esperança dentro de mim.
Eu não deixaria mais dúvidas de que a quero. Eu não permitiria que Alice achasse que só queria o nosso filhote. Ela precisava saber. Ela precisava ouvir de mim. E, dessa vez, eu não fugiria do que sentia.

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