Pressionei as palmas contra os olhos, tentando entender aquela visão estranha. Parecia uma memória, mas eu não me recordava de nada parecido durante minha infância no orfanato.
Minha cabeça latejava de dor, agravada pelo corte feito pelo pingente. Estendi a mão para o frasco de pílulas para dormir no criado-mudo de Lily que foi deixado lá durante as muitas noites em que fiquei ao lado dela durante sua doença.
Engoli uma pílula seca, desesperada por um sono sem sonhos. À medida que o remédio fazia efeito, minha mente continuava a girar em torno da estranha conexão entre o pingente, o sonho e meu próprio passado.
(Ponto de vista de Victoria)
O sol da manhã era glorioso contra minha pele enquanto eu me sentava no jardim da Ala Médica do Abrigo Médico do Bando Crista de Prata. Minha alta já havia sido autorizada e eu apenas aguardava Ethan me buscar.
Os cortes do incidente com a fonte de champanhe estavam cicatrizando bem e eu havia feito questão de que a equipe médica registrasse cada arranhão. As provas da violência de Olivia seriam úteis para mim.
— Tá aproveitando o sol, Sra. Frost?
Congelei ao ouvir aquela voz asquerosa. Roland Warner estava diante de mim. Seu terno barato pendia frouxo no corpo. Seus olhos vermelhos e o hálito azedo denunciavam que havia bebido.
— O que você está fazendo aqui? — Abaixei a voz, olhando ao redor nervosamente. — Este é um centro médico privado.
Roland sorriu de forma desagradável. — Preciso de mais 500 mil até amanhã.
Eu ri, com um som áspero e indiferente. — Tínhamos um acordo. Você já foi pago por completo.
— O preço aumentou. — Ele respondeu, passando a mão pelos cabelos oleosos. — Inflação, sabe como é.
Meus olhos se estreitaram. — Nosso negócio já foi encerrado. Sugiro que vá embora antes que chame a segurança.
Ele se aproximou, seu hálito quente e fétido tocando meu ouvido. — O que o Rei Alfa diria se soubesse que o rim da querida filha dele não era compatível com sua Emma?
Um gelo correu pelas minhas veias. — Minha filha precisava daquele rim. — Sussurrei com raiva. — Qual mãe não faria tudo para salvar seu filho?
— Um sentimento nobre. — Ele zombou. — Mas nós dois sabemos que tem mais coisa aí do que simples instinto materno.


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