(Ponto de vista da Olivia)
O corpo dele ficou rígido. Os músculos do maxilar se contraíram quando ele se virou para me encarar.
— Não ouse amaldiçoar nossa filha. — Ele rosnou, os olhos âmbar brilhando de fúria.
Meu coração se partiu em mil pedaços. Mesmo agora, diante do vazio do quarto de Lily, ele ainda se recusava a aceitar a verdade.
— Olhe. — Eu disse e apontei fracamente para o Retrato Memorial de Lily no criado-mudo. — Olhe para os olhos dela, Ethan.
O retrato capturava o rosto doce da nossa filha. Seu sorriso inocente congelou no tempo. Mas eram seus olhos que diziam tudo, olhando diretamente para o lugar onde o pai dela deveria estar.
— O último desejo dela era que você estivesse lá. — Continuei, com lágrimas escorrendo pelo meu rosto. — Ela queria o pai ao lado dela em sua última jornada.
O olhar de Ethan foi até o retrato, mas desviou rapidamente. Algo passou por seu rosto — dor, talvez, ou um breve momento de reconhecimento — antes de endurecer novamente na negação fria.
— Pare de me manipular. — Ele rosnou. — Isso é só mais uma das suas tentativas patéticas de chamar minha atenção.
Eu o encarei, sem acreditar. Como ele podia transformar minha dor em algo tão egoísta?
— Nossa filha está morta, Ethan. — Disse eu, com a voz quebrada. — Ela morreu sozinha naquele leito de hospital enquanto você estava com Victoria e Emma. O mínimo que você pode fazer agora é reconhecê-la.
As narinas dele se dilataram. — Você está mentindo.
— O corpo dela está no funerária. Eles estão esperando sua assinatura para seguir com o enterro.
— Chega! — Ele rugiu. Sua voz de Alfa reverberou no pequeno quarto.
Eu estremeci, mas não recuei. — Ela também era sua filha. — Sussurrei. — Não deixe a memória dela desaparecer sem ser honrada.
Algo perigoso brilhou nos olhos dele. Ele perdeu o controle.


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