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O Rei Alfa Persegue a Luna Abandonada romance Capítulo 147

— Sim, papai. Eu me lembro.

— Pode me contar o que aconteceu naquele dia? Como você caiu na água?

Victoria interveio com suavidade, tentando encerrar o assunto.

— Ethan, já falamos sobre isso. Ela foi empurrada...

— Quero ouvir da própria Emma. — Afirmei, encarando a menina pelo retrovisor.

O lábio inferior de Emma tremeu levemente.

— Papai, eu só queria que a Lily fosse minha amiga, mas ela me tratou mal... E me empurrou.

A qualidade ensaiada das palavras dela me chamou a atenção, de modo que me perguntei se Victoria a teria instruído ou se aquela era, de fato, a lembrança de Emma sobre o ocorrido.

— Tem certeza absoluta de que foi isso mesmo que aconteceu? — Insisti em tom gentil.

Os dedos de Victoria se apertaram em torno dos meus.

— Ethan, por que está pressionando ela desse jeito? Depois do que aconteceu, ela ficou profundamente abalada.

— Eu só quero entender...

— Então por que não pergunta à Lily? — Sugeriu Victoria, com a voz carregada de inocência, embora suas palavras fossem cruéis, pois ela sabia perfeitamente que Lily já não estava viva para se defender.

Os olhos de Emma se encheram de lágrimas.

— Papai, você não acredita na Emma? Acha que a Emma é uma menina má que mente?

A visão do sofrimento dela fez minha determinação vacilar. Então, estendi a mão para trás e afaguei seu joelho num gesto de consolo.

— Não, é claro que não. Eu acredito em você, Emma.

Victoria relaxou ao meu lado, passando o polegar pelo dorso da minha mão.

— Provavelmente foi só um mal-entendido entre crianças. Essas coisas acontecem.

Assenti, embora a dúvida persistisse. Talvez tivesse sido apenas isso mesmo, um desentendimento infantil que eu amplifiquei por causa dos meus próprios preconceitos. No fundo, eu havia julgado Lily com severidade, pressupondo que ela carregava a mesma suposta inveja e crueldade que eu atribuía a Olivia.

No entanto, as gravações tinham me mostrado uma Olivia completamente diferente daquela que eu pensava conhecer: paciente, amorosa, protetora, em nada semelhante à mulher manipuladora que Victoria descrevera durante tantos anos.

“Será que eu tinha me enganado sobre as duas?”

— Essa aqui. — Disse, entregando-me um livro colorido sobre um filhote de lobo que descobria seus poderes especiais.

Fui lendo em ritmo calmo, atento às pálpebras de Emma que se tornavam cada vez mais pesadas, até que, ao chegar ao fim da história, encontrei-a mergulhada no sono, serena e imóvel.

Logo, afastei-me com cuidado, ajeitei as cobertas ao redor dela e, por um instante, apenas permaneci ali, observando-a dormir. Diante daquela imagem tão doce e vulnerável, era quase impossível imaginar que ela tivesse empurrado outra criança na piscina.

Ainda assim, Lily também parecera igualmente sincera ao negar.

Já passava das nove quando saí, por fim, do quarto de Emma, fechando a porta com cuidado para não acordá-la. Enquanto seguia pelo corredor rumo às escadas, ouvi o som de uma porta se abrindo.

No limiar do quarto, Victoria apareceu com os fios soltos escorrendo pelos ombros e um vestido azul de cetim que moldava seu corpo com perfeição, acentuando cada linha. O decote ousado fazia impossível ignorá-la.

No entanto, senti um incômodo inesperado e desviei o olhar, perturbado por tamanha exposição.

— Emma já está dormindo. Então… Acho melhor eu voltar para a casa da matilha.

Ela se aproximou lentamente, diminuindo a distância que nos separava, até que seus braços me rodearam pela cintura. E ao colar o corpo ao meu, seus olhos me encararam, cheios de um desejo que não deixava margem para dúvidas.

— Ethan... — Sua voz soou rouca, convidativa. — Poderia ficar essa noite?

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