Agora, tudo o que restava era nojo.
As luzes estavam apagadas.
Quando Maurício saiu do banheiro, sua mão procurou instintivamente o interruptor na parede.
Lia percebeu sua intenção e disse em voz baixa:
— Não acenda a luz.
Ela não queria ver o rosto dele.
Pela primeira vez, Maurício não contrariou seu pedido e deu a volta até o outro lado da cama.
Quando o colchão afundou ao lado, o corpo de Lia ficou tenso no mesmo instante.
Não era nervosismo.
Era pura e simples repulsa.
E, para piorar, aquele perfume familiar aproximou-se lentamente; o aroma da colônia que ele sempre usava.
A razão de ele gostar tanto daquela fragrância era algo que Lia descobrira por acaso no passado: havia sido o primeiro presente que Amanda lhe dera.
Desde então, ele havia testado diversas marcas, mas nunca abandonara aquele cheiro.
Quando a mão quente dele pousou em sua cintura, Lia sentiu como se tivesse levado um choque e sentou-se na cama num pulo.
Como era noite de lua cheia, o brilho prateado e claro atravessava as cortinas finas, iluminando o quarto.
Lia franziu o cenho ao encarar Maurício.
— Fique longe de mim.
A mão de Maurício permaneceu paralisada no ar.
No escuro, havia um lampejo de irritação em seu olhar.
— Nós somos marido e mulher.
— Apenas no papel — retrucou Lia com um sorriso sarcástico.
Mais cedo ou mais tarde, estariam divorciados.
No segundo seguinte, Lia afastou as cobertas e saiu da cama, pisando descalça no chão frio.
— Maurício, você usou a lembrança da minha avó para me obrigar a ficar, e eu concordei. Mas não se esqueça: eu já tomei minha decisão.
Ela fez uma pausa, e sua voz tornou-se gélida.

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