— E você acha que eu engulo essa? — disse Maurício com uma risada fria.
Ele inclinou o corpo, o reflexo do perfil de Lia estava nítido em seus olhos.
— Lia, admita, não seja fingida e admita logo que a sua coragem nem mesmo é suficiente para virar as costas de vez. Pare de inventar desculpas.
Um leve sorriso torto escapou-lhe enquanto falava, tingido de desprezo e chacota.
— Desculpas?
Lia sentiu a mente se conturbar por uma fração de segundo.
— Depois de todos esses anos casados, você até hoje nunca se deu ao trabalho de me conhecer.
Na verdade, como poderia conhecer alguém se ele sequer a permitiu atravessar o portão de seu coração?
Talvez tendo aceitado de uma vez por todas que nada poderia penetrar a estupidez de Maurício, ela jogou a toalha.
— Eu não pretendo perder mais tempo falando com o vento. Em primeiro lugar, eu serei a sua ex-esposa. Em segundo, não excluirei aquele vídeo e não haverá nada para me fazer voltar atrás; a não ser que você entenda o recado e aceite o nosso divórcio. Embora isso, de fato, não signifique que ele será interrompido caso você queira brincar de pique-esconde com a papelada.
Depois de engolir seco, Lia recitou palavra por palavra em uma cadência sombria.
— Porque vou usar dos trâmites judiciais.
Eles partiriam para o pior método possível já que não poderiam fazê-lo pelas boas.
Sair apenas com a roupa do corpo era a perspectiva em mente o tempo todo, então as circunstâncias a agradavam perfeitamente.
— E isso é tudo o que tenho a dizer.
Lia desviou do caminho de Maurício em direção ao corredor.
E assim que encostou na soleira da porta, a voz de Maurício a assaltou por trás.
— Naquela época você arruinou todos os seus contatos com a sua própria família pelo simples privilégio de se casar comigo. De onde exatamente vai vir o dinheiro que você pretende usar para bater de frente com o meu poder agora?
Os pés de Lia travaram.
Aquele tópico, que de vez em quando a aterrorizava, voltara como um espinho em sua carne.
O que a deixava louca era pensar que, a cada vez que o passado surgia, ela desejava voltar ao passado e dar um tapa muito bem dado no próprio rosto para acordar aquela Lia perdidamente embriagada por Maurício.
— O meu próprio negócio diz respeito a mim mesma — respondeu Lia.
Ela trancou a mão na maçaneta e tentou empurrá-la para terminar a saída.
— E quanto à lembrança da sua avó?
A sentença funcionou como um choque elétrico atravessando-a do topo da cabeça até a ponta dos dedos dos pés.
Girou sobre os próprios calcanhares até parar com a cara dele mirando para si calmamente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Preço do Desprezo: A Nova Vida de Lia