— Amandinha, eu preciso de um pouco mais de tempo.
Maurício interrompeu-a sem rodeios.
— Tenho que ir para a empresa em breve, então não poderei te levar para casa. Me avise se precisar de qualquer coisa.
Ao terminar a frase, afagou os cabelos de Amanda, com uma extrema delicadeza e afeto.
Vendo-o levantar para sair, Amanda foi tomada por um súbito pânico.
Agarrou a mão de Maurício como alguém prestes a se afogar agarrando-se a uma última tábua de salvação.
— Maurício, nós já perdemos tanto tempo, eu realmente não quero mais esperar.
Maurício parou e virou-se para encará-la.
— Amandinha, não se preocupe, não deixarei você esperar por muito tempo. Mas a situação agora é um pouco peculiar, peço que tente me compreender.
Depois dele chegar a esse ponto, o que mais Amanda poderia dizer?
Ela soltou a mão dele devagar, forçando um sorriso desanimado.
— Tudo bem.
Com o celular começando a tocar, Maurício virou as costas e deixou o quarto.
Amanda permaneceu sozinha, o rancor refletido em seus olhos recusando-se a desaparecer.
Maurício desceu até o térreo no elevador, e o carro já o aguardava na entrada.
Ao entrar no veículo, olhou para Lucas Torres, sentado no banco do passageiro.
— Onde ela está?
Lucas, sabendo a quem ele se referia, respondeu prontamente:
— Ainda no hotel.
Ao ouvir a resposta, as sobrancelhas de Maurício franziram-se num claro sinal de descontentamento.
— Vamos.
Com a ordem dele, o carro afastou-se vagarosamente da porta do hospital.
No hotel.
Quando Maurício chegou, já passava do meio-dia.
O movimento provocado pelo feriado exigiu certa paciência para pegar o elevador.

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