Na manhã seguinte, Francisco mandou uma mensagem no grupo de trabalho orientando a equipe de secretárias a preparar alguns lanches.
Ele frisou que queria, especificamente, trufas de chocolate com matchá.
Às oito e meia, Lisa chegou à empresa exibindo olheiras profundas e deparou-se com um verdadeiro mar de flores no departamento. Dezenas de buquês desabrochavam exuberantes pelas mesas.
O ar estava impregnado com o perfume adocicado.
Em cima de sua mesa repousava um enorme e luxuoso arranjo de rosas Juliet.
O custo daquele buquê equivalia a vários meses de seu salário. Ela sabia muito bem quem o havia mandado.
Lá vinha Rui Guerra de novo.
Solange se aproximou e deu um leve esbarrão em seu ombro. — Esse riquinho já está correndo atrás de você há mais de um ano, não é? Não sente o coração balançar nem um pouquinho?
Lisa respondeu com frieza: — Se não há coração, como é que vai balançar?
Agora que Francisco havia voltado, era como se ela tivesse ressuscitado. Porém, ele jamais poderia saber disso.
Se ele descobrisse, o ego daquele homem chegaria às nuvens!
Camila acariciou as rosas Juliet. — Da próxima vez, fala para ele trocar as flores por dinheiro vivo. Uma cesta de notas sim, seria impressionante.
— Podem se livrar disso mais tarde. — Lisa determinou sem dar muita importância.
Ela sequer teve o trabalho de ler o cartão preso às flores; aquelas cartas de amor cafonas chegavam a ser patéticas.
Havia conhecido Rui há mais de um ano, durante um jantar de negócios em que acompanhou o seu antigo chefe. Desde então, ele grudou nela como chiclete, alegando ter sido amor à primeira vista.
Ele mandava presentes sem parar a todo momento, o que a deixava exausta.
Solange abriu uma caixinha de veludo, revelando uma pulseira de diamantes em formato de estrela, e balançou na frente dela.
A colega parecia de coração partido. — Vamos jogar isso fora também? É a nova pulseira da Cartier: 'Minha Estrela, Meu Coração'. Custa quinhentos e vinte mil.
Naquele exato instante, Francisco entrou no escritório, seguido por uma mulher deslumbrante.
Pela postura elegante e as roupas de grife, ficava nítido que se tratava de uma herdeira da alta sociedade.
Lisa marchou rapidamente para a copa. Camila foi logo atrás e cutucou a mão dela com uma expressão conspiratória.
— Pelo visto, as trufas de matchá eram para a dondoca.
— Será que estamos diante da futura senhora da empresa?
— Quem se importa. — A expressão de Lisa permanecia impenetrável.
Lisa foi pega de surpresa, mas não hesitou em responder: — Olá. Sou eu mesma.
A mulher se apresentou amigavelmente: — Meu nome é Lúcia. É um prazer conhecê-la.
Que diabos era aquilo? A atual estava tentando fazer amizade com a ex?
— Olá, Sra. Cruz. Com licença, preciso me retirar. — Lisa forçou um sorriso polido, virou os calcanhares e saiu.
— Gostei dela. — Lúcia comentou assim que Lisa deu as costas.
— Eu também gosto. — A confirmação de Francisco soou incisiva.
A cabeça de Lisa zumbiu tão forte que ela quase bateu a cara na porta.
— Desta vez os seus planos envolvem ficar de vez na Cidade Nobre? Não pretende ir embora? — Lúcia sondou.
— Não irei a lugar algum. — Os traços atraentes de Francisco se suavizaram. Ele havia voltado justamente com esse propósito.
Ele ergueu a xícara de café e deu um gole. O doce absurdo o atingiu com força, fazendo seu estômago revirar...
Garotinha insuportável. Ela havia adoçado demais de propósito!
Lúcia também provou e elogiou: — Além de ser linda, sabe preparar um café delicioso.

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