Ao chegar à porta, Lisa acabou parando e recuou, posicionando-se atrás dele.
Pegou o batom na bolsa, retocou a maquiagem rapidamente e só então entrou ao lado dele.
Na mansão, os lustres de cristal brilhavam deslumbrantes. O ambiente exalava luxo e glamour, com taças tilintando e pessoas em trajes de gala circulando elegantemente.
Parecia ser uma recepção exclusiva para convidados seletos.
Um homem na faixa dos cinquenta anos veio recebê-los. — Francisco, que bom que chegou.
— Sr. Ribeiro. — Francisco o cumprimentou com cortesia.
— Fico muito feliz com o seu retorno. Venha, vou lhe apresentar a alguns veteranos do setor. — Eduardo Ribeiro sorriu.
Francisco olhou para trás, pediu a Lisa que cuidasse de si mesma e acompanhou o anfitrião.
Em uma sala anexa, Francisco estava cercado por alguns dos mais experientes empresários. Conversava com desenvoltura, exalando uma aura de sabedoria e nobreza.
Assim que se afastou do grupo, foi interceptado por seu grande amigo, Mário Siqueira.
— Já que finalmente voltou, vamos reunir o pessoal amanhã à noite.
— Combinado. — O olhar de Francisco varria a multidão, procurando a silhueta de Lisa.
— Ela foi tão cruel com você, e ainda assim não consegue esquecê-la? Naquela época, você quase perdeu a vida por causa do pai dela... — Mário resmungou, visivelmente indignado.
— É exatamente por isso que voltei. Para acertar as contas com ela. — Francisco deu um sorriso de canto.
Enquanto isso, Lisa aproveitava a brisa no pequeno jardim. Ao se virar, deparou-se com um rosto familiar.
Uma voz feminina, estridente e venenosa, ecoou:
— Olha só, se não é a Lisa!
Lisa franziu a testa e olhou na direção da voz.
Uma mulher com uma maquiagem impecável, mas que não conseguia disfarçar a expressão amargurada, surgiu à sua frente.
Silvana Costa.
O que ela estava fazendo ali?
A sua maior rival da época da faculdade. A família dela enriqueceu da noite para o dia no ramo de comércio exterior, os típicos novos ricos que aproveitaram a onda certa.
O que ela mais odiava em Lisa era aquela calma aparente, sempre capaz de silenciar qualquer um com uma única frase.
— Você...!
Tomada pela raiva, ela girou o pulso e atirou o vinho tinto diretamente no colo de Lisa.
O líquido gelado encharcou instantaneamente o vestido azul, marcando as curvas do corpo dela de maneira humilhante.
— Silvana, você enlouqueceu?!
A fúria de Lisa finalmente transbordou, e sua voz soou cortante.
Mas Silvana apenas ergueu a sobrancelha, satisfeita, e fez uma falsa cara de inocência.
— Ai, me desculpe, Lisa.
— A taça escorregou.
Mal terminou de falar e já se virou para sair, dando um esbarrão forte no ombro de Lisa de propósito.
Com o impacto, Lisa perdeu o equilíbrio e cambaleou para trás.

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