Logo, o carro parou em frente a um prédio residencial caindo aos pedaços. Thiago desligou o motor, soltou o cinto de segurança e olhou friamente para Beatriz. Seus olhos não tinham nenhum calor, e sua voz soou fria como gelo: — Desça.
Beatriz não se moveu e olhou pela janela. O prédio antigo parecia ter muitos anos. A pintura estava descascando, as janelas cobertas por jornais velhos e as luzes do corredor piscavam. Parecia que ia desabar a qualquer momento, dando calafrios em quem visse.
Ela não sabia onde Silas estava, mas já tinha um leve mau pressentimento.
— Fale! Que tipo de acordo você fez com o Silas? — a voz de Thiago veio ao lado, com uma raiva contida.
Beatriz virou-se para ele. Seu olhar estava calmo, sem nenhuma alteração. — Não fiz nada.
Essa expressão, aos olhos de Thiago, parecia a de alguém que se recusava a admitir a culpa, teimando até o fim.
As veias na testa de Thiago saltaram e sua voz subiu de repente. Ele olhava incrédulo para a mulher à sua frente, como se nunca a tivesse conhecido: — Beatriz, a essa altura e você ainda não diz a verdade. Eu já chamei a polícia. O Silas será preso em breve e você é cúmplice dele. Não ache que pegarei leve só por você ser minha esposa!
— Você me conhece. Não vou ser parcial só por ser minha esposa.
Beatriz não disse nada, apenas o encarou diretamente. Seu olhar não vacilou, calmo como uma poça de água estagnada.
Sob aquele olhar, Thiago sentiu uma irritação repentina. Ele desviou o rosto e respirou fundo, tentando conter a raiva.
— Beatriz, eu sempre achei que você fosse uma pessoa razoável e que não faria esse tipo de baixeza, mas nunca imaginei que me decepcionaria tanto.
Ele abriu a porta do carro bruscamente, deu a volta na frente do veículo, abriu a porta do passageiro, agarrou o braço de Beatriz e a puxou para fora.
Com o puxão, Beatriz cambaleou. Seu salto alto torceu no chão irregular e ela quase caiu. Thiago não a segurou e nem olhou para ela.
— O que você vai fazer? — Beatriz franziu a testa.
Thiago não respondeu e a puxou para dentro do prédio. As luzes com sensor do corredor estavam quebradas, e apenas o luar que entrava pelas janelas quebradas mal iluminava os degraus.
Beatriz foi puxada escada acima. O som dos passos ecoava pelo corredor vazio, trazendo uma sensação estranha. Seu coração apertou.
As portas do elevador se abriram e Thiago apertou o botão do último andar. Havia apenas os dois lá dentro. Ele olhava para as portas com o maxilar tenso, exalando uma aura pesada.
Beatriz parou atrás dele. Ao olhar para as costas do marido, seu peito apertou. De repente, ele parecia tão estranho, como se ela nunca o tivesse conhecido.



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