Quando saiu do trabalho à noite, Beatriz cruzou o portão do Instituto e logo viu o Maybach preto estacionado na rua.
Thiago estava encostado na porta do carro. Olhava o celular e, em seguida, erguia a cabeça, lançando olhares esporádicos para a entrada.
Beatriz desviou o olhar e fez menção de desviar. Ele deveria estar lá para pegar Melissa, não tinha nada a ver com ela.
Assim que deu alguns passos, ouviu pisadas rápidas atrás de si e teve o pulso agarrado.
— Venha comigo!
Sem nem dar tempo de reagir, Thiago baixou a voz e puxou a mão de Beatriz em direção à copa ali perto. Ela cambaleou e, por instinto, tentou se soltar, mas a força dele era tanta que não conseguiu.
A porta da copa foi aberta e depois fechada. Estava escuro; apenas um pouco de luz do poste lá fora entrava pela janela.
Beatriz se soltou, dando um passo para trás, com as sobrancelhas franzidas e a voz fria: — O que você está fazendo?
O olhar de Thiago estava afiado. Ele segurou os ombros dela e a examinou de cima a baixo.
A visão dele deslizou do rosto dela para o pescoço, depois para os pulsos. Ele a conferiu várias vezes antes de recuar.
Ele franziu a testa, os lábios comprimidos, como se estivesse preocupado com alguma coisa.
Depois de um longo tempo, demonstrou preocupação: — Você está bem? O Silas fez alguma coisa com você?
Beatriz piscou.
Ela viu tensão nos olhos dele, além de um resquício de medo.
De repente, sentiu-se aérea. Há quanto tempo não via aquela expressão no rosto dele?
No passado, frequentemente via aquilo. Naquela época, Beatriz achava que era a mulher mais feliz do mundo.
Até a existência de Melissa lhe dar um tapa inesperado, que a acordou para a realidade.
— Não — Beatriz baixou os olhos e cerrou os lábios, a voz sem qualquer variação. — A polícia chegou a tempo.
Thiago suspirou aliviado. Os ombros tensos relaxaram e o rosto suavizou.


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