Beatriz franziu as sobrancelhas: — Por quê?
Thiago suspirou, soando óbvio: — Sem você em casa, a Melissa tem feito essas coisas. Fazer comida, sopa. Essas coisas que você é boa. As mãos dela só servem para pesquisa. Desse jeito, ela vai ficar cansada.
Beatriz ficou parada escutando, sentindo como se água fria lavasse o peito.
O marido dela estava ali, mandando ela ir para casa. Não para ver ela, mas para não cansar a outra.
Ela deu risada: — Quem não sabe acha que ela é a sua esposa.
Thiago viu o rosto dela, e a sua chateação passou na mesma hora.
Ele ouviu ciúmes nela. Apenas uma tática feminina para chamar atenção.
Ele sorriu, esticou a mão para segurar a dela, e baixou o tom: — Esposa, não pense nisso. A Melissa está contribuindo para o nosso país. Você cuidando dela, é como estar ajudando o país. Isso é tudo de bom.
Beatriz abaixou a cabeça para olhar para a mão, sentindo frio num toque que antes ela não queria largar.
Ela puxou a mão: — Tudo bem.
Feito isso, virou as costas para ir.
Thiago olhou para ela indo e a boca dobrou.
Ele voltou, entrou no carro e foi.
Beatriz entrou no laboratório, sentou no computador, os dedos no teclado. Lembrando do que ele falou, não apertou nenhuma letra, sentindo o peito entupido como algodão.
Ajudando o país? Ele não acreditava que ela poderia trazer nada para o Instituto ou ajudar a pesquisa.
Deixe, ela não precisava que ele confiasse.
— Beatriz. — A voz de Melissa apareceu atrás.
Beatriz não virou: — Fala.
Melissa chegou do lado, rindo: — Onde você estava ontem à noite?
Beatriz não tirou os olhos da frente: — Em casa.

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