O coração de Beatriz Vaz deu um pulo e ela se virou abruptamente.
O quarto estava escuro, com apenas uma arandela acesa. A luz fraca iluminava as roupas espalhadas pelo sofá. O ar estava impregnado com um suave cheiro de pinho e com o aroma característico de um homem.
Uma figura esguia estava de pé ao lado da janela, contra a luz, sem camisa.
A luz delineava os contornos de seu corpo, ombros largos e cintura estreita, com linhas musculares fluidas e firmes, oito gomos do abdômen bem marcados e as linhas em V desaparecendo levemente na cintura da calça.
As pupilas de Beatriz Vaz se contraíram levemente, e ela paralisou no lugar, prendendo a respiração.
Maurício Drumond.
Ele tinha dito há pouco que sairia para resolver um assunto. Então, viera para cá trocar de roupa. Como ela podia ser tão azarada a ponto de cair logo na sala de descanso dele?
Maurício Drumond se virou devagar. Aqueles olhos puxados pareciam excepcionalmente profundos sob a luz fraca. Ele olhou para ela, e os cantos de sua boca se curvaram em um meio sorriso.
— Dra. Vaz — a voz dele era grave e carregava uma certa languidez —, tão apressada para se atirar nos meus braços, revelando suas verdadeiras cores?
O rosto de Beatriz Vaz ficou vermelho na hora.
Ela abriu a boca para se explicar: — Não é isso, Sr. Drumond...
A desculpa seria esfarrapada, então ela simplesmente não explicou. Talvez ele achasse que ela era o tipo de mulher interesseira, e no futuro não tentaria se aproximar mais dela. Pensando nisso, seu olhar caiu incontrolavelmente sobre ele e desviou-se rapidamente.
Não podia, não podia olhar; ela era uma mulher casada.
Ela se virou instintivamente, e a mão tocou a maçaneta da porta para abrir e sair.
Mas, quando seus dedos encostaram na maçaneta, ela parou de novo. Gabriel Vaz podia ainda não ter ido longe.
Se ela saísse agora e ele a visse, com a personalidade dele, certamente a importunaria. Quando o barulho começasse, o coquetel inteiro ficaria sabendo. Ela não queria mais se envolver com a família Vaz.
A mão que segurava a maçaneta recuou.
Respirou fundo, virou-se e olhou para Maurício Drumond.
— Desculpe, Sr. Drumond. — Sua voz estava um pouco tensa. — Acabei de ver alguém lá fora que eu não quero ver. Posso me esconder aqui um pouco?
— Por que eu deveria acreditar em você? — A voz dele soava baixa, carregando um tom um tanto distraído.
A garganta de Beatriz Vaz se apertou.
Ela sabia o quão absurda era essa situação: uma mulher casada, no quarto de descanso de um coquetel, a sós com um homem seminu. Se contasse, quem acreditaria em sua inocência?
Respirou fundo de novo e colocou a mão de volta na maçaneta, pronta para sair.
Deixe pra lá, se o Gabriel Vaz a importunar, que a importe. Era melhor do que ficar ali...
Quando seus dedos apertaram a maçaneta, uma mão grande com dedos compridos, finos e fortes de repente cobriu a sua, escondendo perfeitamente sua mão delicada e clara.
O corpo de Beatriz Vaz enrijeceu.
Maurício Drumond não aplicou força, apenas pousou a mão levemente, mas a aura que o envolvia a imobilizou.
A voz grave e magnética soou acima de sua cabeça, carregando um tom tentador: — Dra. Vaz, as pessoas que vêm me pedir ajuda não podem ter só essa coragem.

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