Beatriz agiu como se não tivesse visto Maurício. Ela ainda não tinha se preparado, virou-se e foi para a sala de descanso. Lá, vestiu roupas apropriadas e retocou a maquiagem para parecer mais apresentável.
Ela ficou na frente do espelho, com um vestido longo preto e o cabelo preso para mostrar o pescoço comprido.
Ela comprou o vestido há alguns anos e havia usado apenas algumas vezes. Depois, deixou-o no fundo do armário, porque Thiago não gostava que ela usasse roupas tão abertas. Ele disse que não gostava da sensação de outros homens olhando para ela e que era apenas o senso de posse que um homem normal deveria ter por sua esposa.
Beatriz tinha acreditado nisso e ficou corada de vergonha na época. Depois, passou a usar pouco o vestido. Pensando nisso agora, parecia ridículo.
Ela verificou o horário. Estava vinte minutos adiantada. Seria o suficiente.
Ela abriu a porta e caminhou até a saída do Instituto. Assim que passou pelo portão, os passos pararam.
Não muito longe, um Rolls-Royce negro estava estacionado em silêncio. Um homem estava ao lado do carro com um terno preto bem cortado, destacando perfeitamente seu corpo alto.
A luz do sol poente batia nele, dando-lhe uma leve aura, mas isso não diminuía o ar opressor.
Maurício ainda a esperava ali. Ela imaginou que ele não iria conseguir esperar e ligaria para ela. Talvez fosse a tranquilidade dos capitalistas.
Mesmo de longe, Beatriz conseguia sentir a aura invisível do homem.
Ela não sabia o que ele tinha em mente, mas como o pedido já estava feito, só lhe restava seguir em frente. Respirou fundo para suprimir a ansiedade e continuou.
Ao chegar diante dele, parou, mantendo a postura educada e distante.
— Sr. Drumond.
Maurício a observou desde o rosto e a examinou inteira até voltar a encará-la.
O sorriso curioso e provocador ainda estava naqueles olhos levemente inclinados.
— Dra. Vaz. — A voz dele soava vagarosa. — Você vai usar isso para ir comigo ao banquete desta noite?
Beatriz se assustou e olhou para as próprias roupas.
Vestido longo preto com corte simples. Embora não fosse uma roupa muito cara, era o melhor vestido que ela tinha.
Aquele vestido roxo claro do evento anterior tinha sido alugado e já fora devolvido.
Ela olhou para cima e estava prestes a se explicar, mas Maurício se virou para o carro e disse com uma voz fria.
— Entre no carro.
Beatriz apertou os lábios, abriu a porta traseira e entrou.
O interior era muito espaçoso. O cheiro de pinho preenchia o ar. Maurício sentou-se ao seu lado com uma postura relaxada, virou o rosto para a janela e não a observou mais.
Ele virou a cabeça para Beatriz.
— Escolha algum. Pegue o que gostar.
Acompanhando o olhar de Maurício, Beatriz não se sentiu bem.
Qualquer vestido daquela fileira estava com uma etiqueta de seis dígitos, e não tinha como ela arcar com aquele custo.
Apesar de Thiago nunca ter sido mesquinho para transferir dinheiro, aquele valor estava em um cartão que ele lhe havia entregado, e cada gasto ficaria registrado lá no histórico dele.
Ela não queria que ele visse isso. Se ligasse perguntando, como explicaria?
— Sr. Drumond. — Ela falou com cautela. — Isso é muito caro, eu...
— Eu pago. — Maurício a interrompeu sem expressar nenhuma emoção. — A sua única função hoje é estar presente.
Beatriz hesitou de novo.
Um vestido de seis dígitos. Comprar e usar tão casualmente assim?
Uma voz fria soou por trás. — A Dra. Vaz pensa que eu não posso pagar por ele?

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