Beatriz caminhou depressa e o chamou pouco antes de Maurício virar para o corredor.
— Maurício, espere.
Maurício parou e se virou. Ao vê-la, os seus olhos se moveram e havia uma preocupação sutil na sua voz. — Você está bem?
Beatriz balançou a cabeça. — Estou bem.
Ela ficou parada na frente dele por dois segundos, como se organizasse as palavras, e perguntou: — Você vai participar da licitação amanhã?
Maurício assentiu. — O que foi?
Beatriz abriu a boca. Um monte de palavras veio aos seus lábios.
Ela queria que ele desistisse da licitação por conta dos seus interesses próprios. Queria que Thiago ganhasse o projeto dessa vez, para que ela pudesse pegar a certidão de divórcio e se livrar de vez da família Monteiro.
Mas esse pensamento durou apenas um segundo antes de ser contido.
O assunto entre ela e Maurício era só deles, e se Thiago iria ganhar a licitação ou não, era entre ela e a família Monteiro. Não havia relação entre essas duas coisas, e ela não tinha o direito de pedir para Maurício ceder por conta de seus assuntos pessoais.
Beatriz balançou a cabeça e forçou um sorriso muito leve. — Não é nada, vá trabalhar. Eu vou voltar para o trabalho.
Ela acabou não falando nada, virou-se e voltou para a sua mesa.
Maurício ficou no lugar olhando para as costas dela por dois segundos, achando um pouco estranho.
Ele não pensou muito nisso, pois tinha coisas mais importantes a fazer agora. Ele olhou para o relógio no pulso. Faltava uma hora para a reunião da tarde, tempo suficiente para ir à casa de repouso e voltar.
Maurício mandou o assistente levar o carro até a porta e dirigiu até a casa de repouso muito reservada no subúrbio da cidade.
Após registrar-se na recepção, Maurício seguiu o médico responsável pelo longo corredor, ouvindo o relatório.
Ele começou a falar: — Mãe.
Fez uma pausa em seguida, como se esperasse algo.
Mas Dona Cecília não lhe deu nenhuma resposta. Ele teve que continuar sozinho: — A licitação é amanhã.
Dona Cecília nem sequer olhou para ele, falando com uma voz fria: — Você está pronto? Se não estiver, como tem coragem de vir me ver?
Maurício respondeu: — Estou pronto.
Ele escolheu as palavras. — Mas eu não entendo uma coisa. Tem alguma vantagem geográfica em comprar aquele terreno e transformar em área de lazer? Não tem uma paisagem bonita por lá, o clima não é bom, e pela taxa de retorno, não é a melhor escolha.
Dona Cecília virou a cabeça e o encarou friamente.
Os traços do seu rosto pareciam muito com os de Maurício, mas eram mais severos. — Eu disse para ganhar e ponto. Você vai deixar aquele terreno para o Felipe?

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