Beatriz falou com indiferença: — Entendi, o que eu preciso fazer?
Thiago virou a cabeça, sorriu com certa arrogância e apertou suavemente a palma da mão dela, primeiro querendo mostrar com isso o quanto eles se amavam.
— Querida, nossos pensamentos estão tão conectados que você já sabe sem eu nem falar.
Ao dizer isso, ele inclinou-se na direção dela e continuou: — O pessoal vem nos entrevistar amanhã, e vou precisar da sua cooperação. Nem precisa fazer muito, é só passar para o outro lado a imagem de que temos uma relação ótima como marido e mulher.
Ao ouvir isso, Beatriz deu uma risadinha fria no coração.
Ela virou para olhar Thiago, e a voz tinha um toque de ironia leve: — Você não achava que a nossa relação sempre esteve ótima?
Thiago travou, mas reagiu rápido e o sorriso voltou ao rosto: — É, no meu coração a nossa relação sempre foi ótima, eu te amo muito, querida.
Thiago repetiu isso mentalmente, e teve certeza de que Beatriz estava no seu coração.
Ele também acreditava que Beatriz o amava. Felizmente, não era tarde. Desde que a licitação fosse conquistada, ainda haveria tempo de recuperar as coisas.
Ele levantou a mão para apertar o rosto de Beatriz, e Beatriz falou friamente: — Então vai ser ainda mais fácil para você tirar de letra.
Beatriz sorriu com indiferença, empurrou a porta do carro e desceu, andando direto para o portão principal do casarão.
Thiago a seguiu, e enquanto trocava os sapatos no hall de entrada, pediu para dormir no mesmo quarto que ela naquela noite.
Beatriz recusou sem nem pensar.
Sem expressão alguma, ela se recusou: — Amanhã você quer que eu acompanhe você na entrevista, então hoje à noite preciso organizar os dados da experiência para amanhã. Se você ficar lá, só vai me atrapalhar.
Somente encarando esses números ela sentia que ainda estava controlando alguma coisa, e mergulhou no trabalho.
Logo, um cheiro bom veio lá de baixo. Era o cheiro da sopa de costela, que subiu pela escada até o nariz.
Logo em seguida, os passos de Thiago vieram para o andar de cima. Chegaram perto e, por fim, pararam diante da porta dela.
Ouviu-se a batida na porta e a voz de Thiago passando pela porta: — Vem comer, querida.
Beatriz não tirou os olhos da tela. Continuou batendo no teclado, o olhar não tendo nenhuma temperatura: — Não vou comer, não estou com fome, ainda tenho que organizar dados, não venha me atrapalhar.
Thiago não concordou e franziu a testa. E de fora da porta continuou dizendo: — Por mais que queira organizar os dados você não pode pular a janta, não se brinca com a saúde, e ainda mais porque eu fiz especialmente para você.

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