As evidências eram incontestáveis, e as juntas dos dedos de Clarisse segurando os documentos foram ficando brancas por causa da força.
Mas ela também notou que Melissa queria se divorciar de Silas desde que voltou para o país. Os dois discutiram inúmeras vezes por isso, e Silas chegou a bater em Melissa durante uma das brigas.
Não era impossível que Melissa tivesse feito algo.
Clarisse colocou os papéis na mesa de centro, recostou-se no sofá e fechou os olhos em silêncio por um bom tempo.
Ela ficou dividida em um dilema difícil por um momento.
Ela levantou-se, andou devagar até a parede e respirou fundo.
O homem dela morreu cedo e ela criou Silas sozinha, passando por todo o trabalho que dá.
Depois que seus negócios falharam no país, ela levou o filho para o exterior, e começou do zero naquela terra estrangeira até construir essa fortuna.
Depois de se estabelecer, deu a melhor educação e a vida mais confortável ao filho. Viu-o estudar, formar-se e casar. Achava que já tinha superado todas as dificuldades desta vida, e não esperava que algo assim acontecesse.
Suas pernas fraquejaram de repente, e ela caiu sentada no piso gelado de mármore, abraçando a foto do filho e chorando alto.
Não sabia quanto tempo passou. Clarisse levantou-se lentamente do chão e enxugou todas as lágrimas do rosto. Ela ficou reta de novo e o ódio em seus olhos ficou claro num instante.
— Silas, fique tranquilo, a mamãe vai te vingar. Eu vou achar a pessoa que te machucou.
Na manhã seguinte, Clarisse foi ao Grupo Drumond bem cedo.
A assassina que poderia ter matado o seu filho estava bem na sua frente, a não mais que um braço de distância.
Suas emoções vieram à tona em um segundo. Os olhos arderam e os dedos tremeram, mas ela reprimiu com força aquele impulso. Suspirou fundo, e a voz ainda manteve a educação: — Quero falar com você, podemos conversar em particular?
Beatriz franziu as sobrancelhas e o tom continuou distante: — Eu não te conheço.
Clarisse tirou os óculos e curvou os lábios, mas o sorriso não chegou aos olhos: — Não importa se você não me conhece. Eu conheço você, não se preocupe, não vim aqui procurar problema, só quero conversar com você.
Beatriz olhou a hora e então falou: — Desculpe, estou em horário de trabalho agora, não posso sair de qualquer jeito. Se tiver algum assunto, pode ser depois do expediente.
Clarisse respondeu na mesma hora: — Claro, eu posso te esperar sair do trabalho.

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