Do outro lado da linha houve um silêncio de dois segundos, seguido pelo som do telefone mudo. O homem havia desligado.
Letícia ficou parada com o celular na mão, atônita. Os olhos ficaram vermelhos instantaneamente e as lágrimas caíram.
Ela tinha pouco mais de vinte anos e fora mimada pela família desde a infância, protegida de tudo. Nunca tinha passado por uma situação dessas.
Ela ficou em pé no corredor, olhando em volta atordoada. O cheiro amargo das ervas entrava pelo nariz e a lâmpada fluorescente no teto zumbia.
De repente, sentiu-se jogada em um mundo completamente estranho. Não havia ninguém ao seu redor e não restava qualquer esperança.
Não queria contar aos pais; sua mãe passaria mal de pressão alta.
Menos ainda queria contar a Thiago. Se o irmão soubesse que ela engravidou antes de casar e que um homem queria forçá-la a fazer um aborto, ele caçaria o cara e o arrebentaria de pancada.
Se isso acontecesse, a situação sairia totalmente do controle.
Ela mexeu na lista de contatos em pânico, mordendo os dedos sem perceber.
Quem? Para quem ela ligaria?
O dedo deslizou para cima e para baixo na tela, e finalmente parou.
Os olhos pousaram no nome de Melissa.
Isso, ligar para Melissa. Ela com certeza a ajudaria a manter o segredo.
A chamada tocou duas vezes antes de ser atendida. Quando ouviu o doce chamado do outro lado, Letícia sentiu as lágrimas subirem novamente e sua voz soou totalmente chorosa.
— Melissa, posso ir te ver agora? Tenho uma coisa muito importante para te contar. Além de você, eu não sei mais a quem recorrer.
Melissa estava cozinhando. Ao ouvir Letícia chorando daquele jeito, ela desligou o fogo na mesma hora. Havia grande preocupação na sua voz: — Claro, vem para cá. Mas não chore, venha aqui e conversamos com calma.
Letícia desligou e chamou um táxi na beira da rua. Em menos de vinte minutos, o carro parou na frente do condomínio de Melissa.
Melissa levantou-se bruscamente do sofá, o rosto mudando de cor: — O que você disse?
Letícia logo puxou a barra da blusa dela para fazê-la sentar de novo, com um tom meio de reclamação: — Melissa, você não disse que não ia se assustar?
Melissa caiu no sofá, com a expressão congelada por vários segundos, sem conseguir reagir.
A notícia veio tão de repente que pareceu lhe dar um soco forte.
Letícia começou a chorar de novo. As lágrimas rolavam em gotas grandes: — O que eu faço, Melissa? Eu realmente não sei o que fazer, por isso vim te procurar.
Melissa abriu a boca, sem saber o que dizer. Afinal, aquilo não era pouca coisa.
Ela franziu a testa, forçou-se a manter a calma e perguntou: — Quando aconteceu isso?
Letícia secou o rosto de qualquer jeito: — Foi agorinha. Eu descobri na clínica do Dr. Gustavo. O Thiago não sabe. Ele foi embora com a Beatriz depois da consulta deles, e eu fiquei sozinha para ver a minha pulsação.

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