Otávio Neves atravessou o corredor a passos largos e perguntou no posto de enfermagem o número do quarto onde Beatriz Vaz estava.
Ele empurrou a porta com um pouco mais de força, e a madeira bateu contra a parede com um som abafado, fazendo todas as pessoas no quarto virarem a cabeça para olhar.
Nesse momento, Beatriz estava curvada coletando uma amostra por punção no paciente, usando luvas estéreis, e a agulha mal havia penetrado sob a pele.
Otávio Neves deu passos largos até ela, agarrou seu braço e a puxou para longe da cama.
Beatriz cambaleou um passo, e a agulha de punção quase escorregou de sua mão. Ela firmou o corpo e olhou fixamente para o homem que havia invadido o local de repente. Havia um estupor desavisado e um traço de raiva em seu rosto!
Otávio soltou sua mão, virou-se de frente para o restante da equipe, com a voz carregada de uma raiva incontrolável e um tom agressivo.
— Vocês estão dispostos a continuar trabalhando com uma líder de grupo que assedia as pessoas desse jeito? Qual é a capacidade dela de convencer alguém? É só se achando a chefe?
A luva de Beatriz ainda tinha manchas marrom-amareladas de iodopovidona. Ela franziu a testa e, assim que ia abrir a boca, Melissa Valente entrou.
Ela andou rapidamente para o lado de Otávio e falou com um tom dissimulado: — Dr. Neves, você realmente entendeu errado. A líder Beatriz só me pediu para ficar na empresa organizando dados. Talvez ela ache que esse é o meu ponto forte.
Ao dizer isso, sua voz abaixou, e os cílios tremeram levemente: — Não entenda ela errado.
Ao ouvir essas palavras, a fúria no peito de Otávio ardeu com ainda mais força: — Organizar dados? Você é uma doutora em medicina. Ela manda você ficar na empresa organizando dados enquanto traz os outros para coletar amostras no hospital, e isso não é assédio?
O olhar dele para Beatriz ficou um pouco mais frio: — Mesmo sendo líder de grupo, você não pode usar o poder para oprimir os outros. Eu odeio pessoas que abusam da autoridade.
Ele enfiou as duas mãos nos bolsos do jaleco branco, ergueu o queixo de leve, e a sua voz adotou um tom superior.
— É só uma líderzinha de grupo do Grupo Drumond, se achando a dona de tudo. Eu posso fazer ela ser mandada embora do Drumond em um minuto, quer testar?
Beatriz colocou a agulha de punção de volta na bandeja, tirou as luvas e disse em um tom calmo: — Quem é você?
Otávio ergueu a mão para ajeitar a gola do jaleco branco, endireitou o corpo com um orgulho indisfarçável no olhar: — Este hospital é do meu pai, quem você acha que eu sou?
A gravação era muito clara, e, de fato, eram as palavras de Beatriz.
Beatriz congelou; ela não esperava de jeito nenhum que Melissa gravaria aquela frase.
Tirando essa frase do contexto, para alguém que não conhecesse os antecedentes, realmente parecia uma ordem para ela ficar na empresa.
Mas as palavras originais dela tinham sido: — Você vai ou não? Se não vai, fique no laboratório.
Ela realmente sabia tirar as coisas de contexto.
Beatriz olhou para Melissa, e um sorriso ambíguo surgiu no canto de sua boca: — Você cortou o começo e o fim na hora de gravar. Pelo visto, veio preparada.
Melissa recuou um passo imediatamente, com o corpo se apoiando de forma involuntária em Otávio. Ela ergueu os olhos para ele, com a beirada deles um pouco avermelhada.

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