Beatriz estava deitada no chão, observando a cena e ouvindo o próprio coração se partir.
Alguns colegas já haviam avançado e, juntos, prenderam o homem no chão. Ele ainda se debatia e xingava.
Mas Beatriz já não ouvia aqueles sons.
Ela só viu que o marido estava preocupado com outra mulher, e a abraçava com cuidado, como se tratasse um tesouro.
Ela estava no chão, a poucos passos de distância, com o ferimento no rosto causado pela mulher que ele amava.
Thiago examinou Melissa e, após confirmar que ela não estava ferida, se levantou.
Ele olhou com frieza para o homem que estava preso no chão. Havia raiva contida em sua voz. — Eu não vou deixar você em paz.
Em seguida, ele se curvou e pegou Melissa no colo. Ela se encostou nele. Seu rosto estava pálido, e seus olhos vermelhos pareciam dignos de pena.
Thiago a carregou e caminhou para a saída.
Do começo ao fim, ele não olhou para Beatriz nem uma vez...
O escritório ficou em silêncio por um instante. O coração de Beatriz esfriou. Naquele momento, ela não esperava que Thiago voltasse. Ele disse para ela se lembrar de aplicar o remédio e depois saiu apressado.
Então alguém exclamou: — Nossa! Que fofo!
— O Dr. Monteiro é muito bonito!
— A Chefe Melissa é tão sortuda. Ele é muito bom para ela!
Beatriz estava deitada no chão. Ao ouvir as palavras, o canto da sua boca se curvou de forma irônica.
Aos olhos dos outros, aquela era uma cena romântica de um herói salvando a mocinha.
Só ela sabia que era a figurante mais ridícula daquela cena.
— Beatriz! — Dona Regina correu, agachou-se ao seu lado e a ajudou de forma apressada. — Como você está? Está doendo? Vamos para o hospital!
Beatriz se apoiou no chão e se levantou. Ela balançou a cabeça e sua voz estava fraca. — Não é nada, Dona Regina. Não precisa ir ao hospital. Eu só vou descansar um pouco. A senhora pode aplicar o remédio para mim.
O canto de sua boca estava cortado e sangrava. Dona Regina olhou para ela e seus olhos ficaram vermelhos na hora.
Ela estava casada com Thiago havia cinco anos e ele nunca a olhara daquele jeito.
Então a diferença entre amar e não amar era visível a olho nu. Havia um contraste tão grande.
Ela abriu a boca e soltou o ar. — Dona Regina, não é nada. Nós já vamos nos divorciar.
Dona Regina ficou em silêncio por alguns segundos e segurou a mão dela. — Então mude-se para a minha casa por enquanto. Você ficar sozinha por aí me deixa preocupada.
Beatriz pensou um pouco e assentiu. — Certo. Eu também tinha essa ideia. Thiago está cuidando de Melissa agora, e não tenho mais tempo para ele.
Os olhos de Dona Regina estavam cheios de pena. A menina havia passado por tanta injustiça, mas ainda era compreensiva. Era compreensiva a ponto de dar pena.
...
No hospital.
Thiago tratou da internação de Melissa, arranjou um quarto e sentou-se ao lado da cama.
Melissa estava recostada na cama. O rosto dela estava pálido e a expressão ainda assustada.

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