Beatriz pausou o que estava fazendo. Então, assentiu, com um tom indiferente, falando como se não fosse sobre si mesma: — É.
Regina olhou para ela, com os olhos cheios de pena: — Menina boba, por que não disse antes?
Beatriz sorriu: — Não havia muito o que dizer, Dona Regina, já passou.
Regina suspirou, com uma expressão de dificuldade: — Ela foi transferida de cima, não consegui descobrir quem está por trás dela. Eu queria transferi-la, mas no momento não consigo fazer isso sozinha.
Beatriz terminou de se trocar, aproximou-se e segurou a mão dela, confortando-a: — Está tudo bem, Dona Regina. Se ela tiver capacidade para continuar no Instituto, também será bom para nós.
Regina olhou para ela, sentindo um pouco de pena: — Menina, como você pode ser tão compreensiva? Não consegue pensar um pouco em si mesma?
Beatriz tinha um sorriso nos lábios. Estava prestes a falar quando Regina de repente se lembrou de algo: — A propósito, foi você quem conseguiu o investimento do Grupo Drumond, não foi?
Beatriz ficou atônita por um momento. Ao ver a expressão dela, Regina teve ainda mais certeza.
— Eu sabia. Como aquela mulher não tem vergonha? Com que direito ela leva o crédito?
Beatriz ficou em silêncio por alguns segundos e disse suavemente: — Dona Regina, se a chegada dela puder trazer esperança ao Instituto e animar a todos, é melhor deixar essa oportunidade para ela.
Ela fez uma pausa e olhou para Regina: — Quanto à minha identidade, peço que mantenha em segredo por enquanto.
Neste momento crítico do divórcio, ela não queria complicações, nem dar a Thiago oportunidades para criar problemas.
Regina sentiu um peso enorme no coração. Sabendo o quão pesada era a carga nos ombros de Beatriz, ela assentiu, com a voz um pouco embargada: — Tudo bem, farei como você diz.
……
Depois de se arrumarem, as duas saíram do escritório. Assim que chegaram à área de trabalho, ouviram um barulho.
— Problema! Deu erro nos dados!
Parada ao lado observando a cena, Beatriz de repente teve uma nova percepção de Melissa.
Ela não era um vaso de enfeite. Pelo menos, não o vaso de enfeite simples que parecia ser.
Quando Beatriz ia olhar os dados, sua visão periférica instintivamente varreu a porta. Aquela figura havia desaparecido; Thiago já tinha ido embora.
Ela não se importou mais com isso, abaixou a cabeça e começou a focar nos dados.
Nesse momento, um rugido soou de repente do lado de fora da porta.
— Melissa! Venha já aqui fora!
A voz era ríspida e furiosa, fazendo toda a área de trabalho ficar em silêncio por um instante.
Beatriz levantou a cabeça, olhando instintivamente para Melissa ao seu lado. A expressão dela mudou no mesmo instante; seu rosto ficou pálido como papel, com os lábios tremendo levemente.

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