Ela só sabia fazer massagem por causa de Thiago.
Naquela época, o trabalho dele era puxado. Ele ficava sempre até tarde da noite, e as enxaquecas vinham para derrubar o corpo inteiro dele. Ela, com pena, foi aprender massagem de propósito, só para passar os dias esperando ele chegar e aliviar a cabeça e os ombros dele.
Toda vez que ela fazia, ele a puxava para perto, apoiava o queixo no topo da cabeça dela e falava com uma voz carinhosa e cheia de posse: — Amor, daqui em diante você só pode massagear a mim.
E ela se sentia bem ouvindo aquilo, achando que todo aquele esforço tinha valido a pena.
Agora ele queria que ela fizesse na Melissa.
Beatriz continuou onde estava. O corpo se perdeu nos pensamentos.
Thiago percebeu que ela não saía do lugar e fez uma cara ruim, mas aguentou e chamou de novo: — Amor, a Melissa está morrendo de dor. Vem logo.
Aquela palavra, "amor", saindo da boca dele soava com uma ironia fora do normal.
Beatriz respirou fundo, com a voz calma: — Minha mão está machucada. Não posso fazer.
Thiago franziu as sobrancelhas com o olhar cheio de dúvida: — Machucou quando? Deixa eu ver.
Beatriz ficou quieta. Não queria nem gastar saliva. A cabeça dele estava toda na Melissa, então claro que não saberia se a mão dela estava doendo.
Thiago pensou que era desculpa. Ele se levantou, andou até ela, segurou a mão dela e foi checar de perto, focado: — Amor, não foi nada de mais. Descansa um pouco e melhora, não atrapalha em nada.
Ele baixou o tom com um favoritismo que congelou o coração dela.
— A Melissa está assim por causa do trabalho, o que você acha que ela foi fazer na festa hoje? Foi buscar investimento para o Instituto. Ajudar ela é ajudar você.
Beatriz deu uma pausa.
Então Melissa também foi na festa buscar investimento para o Instituto?
Ela nem teve tempo de pensar e a mão já estava na testa da mulher. Thiago a guiou até lá.
A voz dele trouxe um ódio guardado e ele virou a cara na direção de Beatriz: — Usar essa força para quê?
Ele abaixou do lado de Melissa, olhando para a testa com cuidado. Aquela demonstração de afeto era de cortar o coração: — Melissa, machucou? Está doendo?
Beatriz tinha aprendido por ele. E fez incontáveis vezes, sem que ele perguntasse uma vez se as mãos dela doíam.
Agora ela ia fazer o mesmo para Melissa, e ele se preocupava com a dor dela.
Beatriz abaixou a cabeça e não disse uma palavra. Virou as costas e subiu em silêncio.
O Thiago continuava acalmando a Melissa na parte de baixo: — Melissa, passou? Quer ir no médico?
E a voz fina continuava: — Não, Thiago. O braço dela que pesou muito, eu descanso um pouco e já melhora.
Beatriz abriu a porta do quarto e fechou logo em seguida. Virou o rosto para olhar para os lados e só ali notou como o quarto de hóspedes era apertado.

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