Mas, só agora, ela percebeu que a frieza dele era desprezo pela vida.
Helena insistiu, séria:
— Isso não é besteira. É uma vida.
Daniel não ligou.
— É só um cachorro. E está muito machucado, não vai sobreviver. Não tem por que desperdiçar energia com isso.
Ele já tinha falado isso para Júlio, mas Júlio não cedeu e insistiu em levar para tratar.
Daniel ainda ia dizer mais alguma coisa, mas Helena não deu atenção. Ela ligou para o motorista, que ainda não tinha ido longe, mandou ele voltar e levar Júlio para o hospital veterinário.
Daniel viu que não ia convencer ela e quis ir junto, mas Helena bateu a porta do carro, e a porta deixou Daniel do lado de fora.
— Helena, o que você está fazendo? Abre a porta!
Daniel bateu no vidro, com raiva.
Helena não ligou e mandou o motorista seguir para a clínica veterinária.
Júlio sabia que entrar no carro de Helena não era adequado, ainda mais naquela situação, com Helena e Daniel brigados.
Mas ele não tinha escolha.
Olhando para Helena no banco da frente, irritada, ele falou baixo:
— Gente rica é assim. Enquanto não sentem a dor dos outros, nunca aprendem.
Helena soltou um "hm" seco e não resistiu, virou a cabeça para olhar para o cachorro.
O cachorro era amarelinho, parecia ter só alguns meses. Ele soltava um gemido baixo, o corpo tremia, o sangue já tinha secado no pelo, e ele parecia sujo e miserável.
Como estava sofrendo, ele se mexeu um pouco e a patinha cheia de sangue encostou no banco, deixando uma marca bem nítida.
Nessa hora, Helena franziu a testa de dor, porque o ferimento dele era grave demais.
Júlio achou que ela estava incomodada com o banco sujo. Ele tirou o paletó e colocou na frente das patas do cachorro.
— Vocês mexeram com alguém? O dono da clínica recebeu uma ligação. Disseram que, se a gente não fechar, vão fazer reclamação e fazer a clínica ser fechada de vez.
— A gente não aguenta esse tipo de problema. Vocês vão ter que procurar outra.
Ao mesmo tempo, Helena recebeu uma ligação de Daniel.
— Pede desculpas. — O tom de Daniel estava frio. — Eu estou com raiva, mas se você pedir desculpas agora e voltar, eu os mando atenderem.
Daniel nem sabia explicar de verdade por que estava tão irritado, mas ele não engolia. Helena, por causa de gente de fora, já tinha perdido a paciência com ele várias vezes, e agora até por causa de um cachorro estava virando a cara. Se ele não cortasse isso agora, ela ia achar que ele não tinha limite.
Daniel não pensou em mais nada. Ele só queria usar isso para fazer Helena ceder.
Helena entendeu na hora que era ameaça dele, e deu uma risada de raiva.
— Pedir desculpas?
— Daniel, você está sonhando. A gente termina. E desta vez termina de verdade, sem volta!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Dia em que Ele Aprende a Te Perder
Podiam dar um final digno pra este romance, no fizeram acompanhar até este ponto da estória pra deixar inacabado....
Que estranho, findaram o romance sem concluir o enredo, na verdade, simplesmente não deram continuidade, deixando várias situações sem desfecho...
N chega ao fim estes romances? Acaba se tornando maçante....