Como se estivesse andando num andar altíssimo e, de repente, pisasse no vazio.
Estela estremeceu e acordou assustada.
— Teve um pesadelo? — A voz de Rafael veio do lado, com um sorriso leve.
Estela levantou a cabeça e só então percebeu que, sem notar, tinha dormido.
Ela endireitou o corpo, esfregou as têmporas, e a manta que estava sobre ela escorregou. Devia ter sido o Rafael, ele não quis acordar ela, mas também ficou com medo de ela pegar frio, então cobriu ela.
Estela pegou a manta e olhou a hora.
Ela tinha dormido uns dez minutos, mas o estranho era que o cansaço não tinha passado, parecia que estava ainda mais cansada.
— Descansa um pouco. — Rafael desceu da cama do hospital e apertou de leve o ombro dela. — Você está fazendo hora extra há mais de uma semana. Nem um corpo de ferro aguenta sem descansar.
Estela balançou a cabeça e se obrigou a parecer bem.
— Está tudo bem. Eu já descansei agora há pouco, estou com muita energia.
Esse projeto decidia a vida ou a morte da UME, ela não podia relaxar.
E, além disso, por causa desse projeto todo mundo estava ocupado a mil, como ela podia ser a primeira a enrolar.
Estela virou o rosto, segurou com as duas mãos as bochechas brancas e bonitas do Rafael, sorriu e disse:
— Comporta direitinho. Vai brincar sozinho. Quando eu ganhar dinheiro, eu compro doce pra você.
Os olhos dela brilhavam.
Rafael sorriu e entrou na brincadeira.
— Então obrigado.
— Mas, mais do que doce, eu gosto mais do você.
Enquanto falava, o olhar dele desceu e foi parar nos lábios de Estela.
O formato dos lábios dela era bonito, um rosa claro, com um brilho úmido bem suave, estranhamente tentador.
Estela percebeu o olhar dele e entendeu, o rosto dela ficou vermelho.
— Para de graça.
Rafael sorriu, ia dizer alguma coisa, mas uma dor súbita no fundo dos olhos fez o sorriso dele travar.
A pálpebra dele pulou forte, e a dor nos olhos era como agulha espetando.
Estela estava vermelha e não teve coragem de encarar ele, então também não percebeu que ele estava estranho.
— Rafael, tem alguma coisa que você goste muito? Eu quero...
Ela não tinha terminado quando Rafael disse:
— Eu vou sair um pouco. Você trabalha.
Ela não conseguiu evitar a preocupação.
— Sr. Rafael, as crises estão ficando cada vez mais frequentes. Mas esse remédio não pode ser usado sempre, se usar demais ele perde o efeito. Melhor o senhor considerar a cirurgia.
Rafael sorriu pra ela, a voz com um pouco mais de preguiça.
— E se a cirurgia der errado e não der para salvar o olho, e eu acabar espantando a minha namorada, o que eu faço?
A enfermeira ficou sem palavras.
Ela via os dois se dando bem, e ela achava que Estela não era uma pessoa tão superficial.
Percebendo que Rafael estava brincando, a enfermeira ficou sem jeito.
— Sr. Rafael, eu estou falando sério. O olho é ligado aos nervos do cérebro. Se continuar arrastando assim, vai dar problema.
O resultado dos exames não era bom, mas Rafael não deixava eles contarem pra Estela e pra Laura.
A enfermeira estava preocupada.
Rafael voltou a sorrir pra ela.
O sorriso era calmo e bonito, e os olhos avermelhados tinham um ar quebrado, mas isso não tirava nada do rosto dele, pelo contrário, parecia até acrescentar algo.
Por um momento, a enfermeira ficou presa naquele sorriso.
— A medicina está avançando muito rápido. A chance de dar certo com um tratamento conservador não é tão difícil quanto você imagina. — Rafael olhou pra ela com calma. — E, além disso, no futuro eu talvez ainda precise entrar na disputa pela herança da família Lacerda. Se, nesse meio tempo, meus olhos derem problema, ou se descobrirem que meus olhos estão com problema, então acabou tudo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Dia em que Ele Aprende a Te Perder
Podiam dar um final digno pra este romance, no fizeram acompanhar até este ponto da estória pra deixar inacabado....
Que estranho, findaram o romance sem concluir o enredo, na verdade, simplesmente não deram continuidade, deixando várias situações sem desfecho...
N chega ao fim estes romances? Acaba se tornando maçante....