Estela virou a cabeça, confusa.
A noite estava profunda. A luz amarelada dos postes caía sobre a rua como um velho à beira do fim.
Lucas vestia apenas camisa branca e colete preto. A luz batia nele. Comparado à frieza agressiva de antes, agora havia algo mais brando em sua presença.
Talvez tivesse vindo correndo, a respiração estava um pouco pesada.
Quando viu que ela tinha se virado, os passos dele diminuíram. Caminhou até ela com passos pesados.
O Lucas de hoje parecia uma criança que tinha perdido o brinquedo favorito.
Era diferente do que ela tinha visto antes.
Ao vê-lo, todas as palavras de sarcasmo que Estela tinha preparado ficaram presas na garganta.
— O que foi? — Sem perceber, o tom dela ficou mais suave.
Lucas parou devagar.
Ao ouvir a pergunta, ficou sem resposta.
O que tinha acontecido com ele?
Nem ele mesmo sabia.
Lucas olhou para o condomínio velho e desgastado à sua frente e pensou no quarto apertado que Estela tinha alugado lá em cima.
Uma sensação amarga subiu no peito sem motivo claro.
Antes, ele sempre achou que ela fazia aquilo de propósito. Morar num lugar assim para chamar a atenção dele.
Só agora tinha entendido.
Não era provocação, nem teatro.
Ela realmente parecia não ter dinheiro.
— Por que você não falou? — Depois de um longo silêncio, Lucas disse em voz baixa. — Eu não cortei de propósito o dinheiro mensal da casa. Eu só... esqueci.
Ao ouvir isso, Estela sorriu.
Esqueceu.
Sobre Jéssica, ele nunca esquecia.
Ele até lembrava a diferença de fuso horário do lugar onde Jéssica estava e ligava evitando o horário de descanso dela.
— É verdade, quando algo não importa, a gente esquece mesmo. — Disse Estela. — Você veio só por causa disso?
A leveza dela fez Lucas se sentir ainda pior.
Com o assunto da filha, ela também tinha sido assim.
Ele preferia que ela ficasse com raiva, gritasse, brigasse com ele. Era melhor do que aquela calma.
Não como agora, agindo como se não se importasse, nem lhe dando chance de explicar.
O peito de Lucas ficou pesado.
— Isso não vai acontecer de novo. — Os olhos escuros dele a encararam fixamente. — Estela, volta comigo.
— Voltar?
Estela sentiu como se tivesse ouvido uma piada.
Depois, ela a colocou num vaso bonito, na casa, regava todos os dias, podava, cuidava.
Ele não imaginava que Estela a tivesse mantido até agora.
Também não imaginava que, depois de cinco anos, ela simplesmente a jogaria no lixo.
O corpo de Lucas ficou rígido. Ele tinha a sensação de que, no coração de Estela, aquela peônia era ele, era o casamento deles.
Ele mexeu os lábios. O peito estava tão pesado que parecia faltar ar.
— Estela, você cuidou dela por cinco anos. Cinco anos. E vai jogar fora assim?
Estela percebeu o que ele estava pensando.
Ela soltou um riso leve e disse, sem dar importância:
— Sim. Cinco anos. No começo, foi difícil abrir mão.
— Mas depois pensei melhor. Cinco anos não passam de um número.
— Se eu quiser, posso ter outros cinco anos. E depois outros cinco. Não preciso ficar presa a um único período.
Afinal, se apegar ao passado e olhar para raízes e folhas apodrecidas só deixa tristeza.
Assim que ela terminou, Lucas segurou o rosto dela com as mãos e virou para si.
Estela viu os olhos dele vermelhos.
A voz dele estava baixa e fria:
— Você fala com tanta facilidade. E eu? Estela, você também vai me jogar fora junto?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Dia em que Ele Aprende a Te Perder
Que estranho, findaram o romance sem concluir o enredo, na verdade, simplesmente não deram continuidade, deixando várias situações sem desfecho...
N chega ao fim estes romances? Acaba se tornando maçante....