Por causa da notícia sobre Helena, Estela passou a manhã inteira distraída. Deixou o cabelo solto sobre os ombros, sem prender.
O carro conversível corria rápido, o vento batia de frente e bagunçava ainda mais os fios.
Ela olhou para os dois pulsos, depois revirou a bolsa. Percebeu que não tinha elástico.
Nesse momento, uma mão de dedos longos se estendeu de forma relaxada diante dela. Entre os dedos, havia um lenço.
— Usa isso por enquanto. — Disse Rafael.
Estela não fez cerimônia. Pegou.
— Obrigada.
O tecido era fresco e macio. Dava para perceber que era seda.
Mas ela já devia muito a Rafael.
Só o anel de diamante em seu dedo já era algo que ela não tinha como pagar no momento. Teria que encontrar outra forma no futuro.
Então um lenço não fazia diferença.
Estela segurou uma ponta, deu duas voltas ao redor do cabelo e fez um nó.
Os fios ficaram presos de forma solta na parte de trás da cabeça.
Rafael virou o rosto para olhá-la.
— Quando uma mulher bonita usa um lenço, até o lenço fica bonito. — Disse ele, sorrindo.
Estela ficou um pouco sem jeito com o elogio.
— Obrigada.
— Obrigada pelo que você fez hoje.
Ela não se surpreendeu por ele saber onde ela morava.
Em Cidade N, descobrir informações sobre alguém era simples. Ainda mais alguém que era alvo de comentários.
Rafael riu:
— Tratar bem a própria namorada é o mínimo. Não precisa agradecer. Da próxima vez que ele te incomodar, me liga. Eu disse que vou te proteger. Não volto atrás.
O tom era leve, mas ele falava sério.
Estela não deu muita importância.
Logo o carro chegou à entrada da UME.
Rafael inclinou-se e beijou de leve o dorso da mão dela.
— Me espera depois do trabalho. Eu te levo para casa.
Estela assentiu. Depois, cada um seguiu seu caminho.
Ao chegar à empresa, ela abriu as mensagens e viu que Evandro tinha viajado cedo a trabalho.
A empresa inteira estava ocupada por causa dos pedidos.
Estela também ficou sobrecarregada organizando os dados do teste interno. Não teve tempo para pensar em mais nada.
Só ao meio-dia, quando recebeu uma ligação do detetive, saiu para buscar as fotos com as pistas.
À noite, Rafael chegou no horário combinado para buscá-la.
Depois de deixá-la na entrada do condomínio, ele tinha outro compromisso e não ficou.
— Ouvi dizer que as coisas não estão tranquilas. Fica em casa e evita sair. — Disse ele antes de ir embora.
Lucas não entendeu.
— O que houve com suas mãos?
O sorriso de Dona Vera ficou rígido por um instante. Ela forçou um riso constrangido e disse:
— Sr. Lucas, eu estou com algumas dificuldades este mês. O salário deste mês já não deveria ter sido pago?
Ao ouvir aquilo, Lucas franziu a testa.
Ao ver a reação dele, o coração dela afundou.
Antes, todo dia primeiro, Estela pagava o salário daquele mês. Às vezes até adiantava. Mas já era dia cinco, e nada.
Ela tentou falar com Estela, mas Estela não respondeu.
Pensou em procurar Jéssica, mas nos últimos dias Jéssica estava de mau humor e disse friamente que ela procurasse quem sempre pagava.
Ela tentou novamente falar com Estela e descobriu que tinha sido bloqueada.
O salário sempre foi pago em dia. Às vezes Célia ainda dava algum extra.
Ela não queria levar isso até Célia.
Sem alternativa, procurou Lucas.
Mas sabia que era constrangedor tratar disso com ele.
Dona Vera falou apressada:
— Não é nem pelo dinheiro em si. Sempre foi a Srta. Estela quem cuidou do meu salário. Mas agora eu vi que ela me excluiu.
— Ela recebe o dinheiro da família Farias, mas não faz mais nada pela família. Se começar a ficar com o dinheiro assim, um mês pode não ser nada, mas com o tempo pode gerar mal-entendido entre a gente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Dia em que Ele Aprende a Te Perder
Que estranho, findaram o romance sem concluir o enredo, na verdade, simplesmente não deram continuidade, deixando várias situações sem desfecho...
N chega ao fim estes romances? Acaba se tornando maçante....