— Seja verdade ou não, nada disso justifica você ter me enganado.
Lucas olhou para ele com frieza.
— E aquele vídeo na festa foi você quem colocou, não foi?
Lírio respondeu em voz baixa:
— Eu também fiz isso para ajudar você e a Jéssica. Queria que vocês ficassem juntos o quanto antes.
Quem diria que, depois do divórcio já consumado, Aurora usaria as ações para forçar Lucas a reatar, pegando todos eles completamente desprevenidos.
Só podia dizer que ela tinha sido mais esperta.
Mas isso não era o que mais o surpreendia.
O que mais o deixou chocado foi…
Lírio segurou o rosto dolorido.
— Lucas, você não vai mesmo deixar a Jéssica de lado para voltar com a Estela, vai?
Os olhos escuros de Lucas tremeram por um instante, mas logo voltaram ao normal.
Ele soltou Lírio e se levantou.
— Isso é assunto meu. Ninguém precisa interferir. Se voltar a tomar decisões por mim ou a me esconder algo, não vai sair tão inteiro quanto hoje.
Depois de dizer isso, Lucas não lhe deu mais atenção. Levantou-se e saiu direto pela porta.
Ele ficou parado, olhando para aquela silhueta fria que se afastava, a boca entreaberta, atônito.
Até pouco antes, tinha absoluta certeza de que Lucas jamais escolheria reatar com Estela.
Mas o olhar dele agora o deixou inquieto.
Uma sensação incômoda surgiu.
Talvez, desta vez, o plano de Estela tivesse realmente funcionado.
Do lado de fora do hospital, Gonçalo estava ao volante.
Viu Lucas sair.
A silhueta alta se misturava à noite, fria, solitária.
Gonçalo nunca tinha visto Lucas assim.
Antes, Lucas sempre fora firme, confiante, decisivo, acostumado a ter tudo sob controle.
Agora, parecia um barco à deriva em alto-mar, perdido, sem rumo.
Depois de entrar no carro, Lucas não disse uma única palavra.
O silêncio dentro do veículo era pesado.
Gonçalo mal conseguia ficar parado no banco.
E, naquela noite, o caminho de volta para a mansão parecia mais longo do que nunca. O trajeto que normalmente levava pouco mais de dez minutos parecia ter durado uma hora inteira.
Quando o carro parou, Gonçalo já estava com as mãos molhadas de suor.
— Sr. Lucas, chegamos.
Lucas pareceu finalmente voltar a si.
Ele lançou um olhar frio para Gonçalo e disse:
— Gonçalo, há quanto tempo você trabalha comigo?
Gonçalo pressionou os lábios.
O pé mal tinha tocado o chão quando ouviu a voz de Lucas atrás dele, calma.
— Vou te dar uma chance de se redimir.
Do outro lado da cidade, depois de sair do local da festa, Estela deu algumas voltas pelo centro.
Só depois de muito tempo, quando a sensação de estar sendo observada desapareceu, ela voltou para o condomínio.
Em casa, ficou atrás da cortina do quarto e olhou para a rua.
Não havia nenhuma figura suspeita.
Como nas outras noites.
Ao redor, dava para ouvir um casal discutindo, uma criança chorando.
O som da televisão ligada, o barulho de comida sendo preparada na cozinha.
E até o riso animado de uma família reunida.
Mesmo assim, por algum motivo, ela não conseguia se acalmar.
Era aquela sensação ruim de que algo estava para acontecer.
Mais meia hora se passou. Depois de ter certeza de que ninguém a estava seguindo, Estela ligou para a avó.
Quem atendeu foi a empregada que cuidava dela.
Assim como no banquete, a resposta foi a mesma. Disseram que a avó estava cansada e já tinha ido descansar.
Estela não teve como insistir.
Ela acabou de desligar quando outro telefone começou a tocar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Dia em que Ele Aprende a Te Perder
Que estranho, findaram o romance sem concluir o enredo, na verdade, simplesmente não deram continuidade, deixando várias situações sem desfecho...
N chega ao fim estes romances? Acaba se tornando maçante....