Lírio sabia que, se Lucas estava perguntando aquilo, era porque já tinha a resposta.
Ao perceber que era por causa disso, embora se sentisse culpado, não sentiu tanto medo.
Ele não escondeu mais nada.
— Foi a Estela.
Lucas fechou o punho. Os olhos ficaram vermelhos. Ele agarrou o colarinho de Lírio e o levantou.
— Por que você fez isso?
Lírio engoliu em seco.
— Lucas, eu escondi isso de você porque era para o seu bem.
Lucas soltou uma risada fria.
— Para o meu bem?
Lírio respondeu:
— Você já pensou que aquele acidente e o aborto podem ter sido um plano da Estela?
Lucas ficou em silêncio por um instante.
Vendo que ele não respondeu, Lírio continuou:
— Pensa bem. No dia em que a Jéssica voltou, por que foi tão conveniente que Estela tenha se envolvido num acidente justamente com ela?
— E ainda por cima, as duas foram parar no mesmo hospital.
— Eu acho que ela queria atingir a Jéssica, mas acabou prejudicando a si mesma. Depois que soube do aborto, quis jogar a culpa na Jéssica e foi para o mesmo hospital.
— Está claro que era disputa por você.
Em romances não era assim?
Uma mulher, para ficar com o homem que quer, é capaz de tudo.
Estela tinha passado cinco anos como dona de casa, vivendo sob a sombra da preferência dele por Jéssica.
Ele acreditava que ela seria capaz.
Mas Lucas não parecia convencido. O olhar era irônico.
— Você está dizendo que, por ciúme, ela colocaria o filho e a própria vida em risco?
Ele também já tinha suspeitado.
Mas achava que, por mais fria que fosse, ela não faria isso com o próprio filho.
O acidente tinha sido grave.
Além disso...
— O carro dela estava na frente. Como ela poderia provocar o acidente? — Perguntou Lucas em tom frio.
Lírio pensou.
— Se a intenção for atacar, tanto faz estar na frente ou atrás.
— E antes ela não contratou alguém para atacar a Jéssica?
Ao ouvir isso, Lucas hesitou.
Quando Jéssica foi sequestrada e quase perdeu a honra, Estela tinha negado, mas ele tinha investigado. Havia uma movimentação mensal de dinheiro na conta dela sem explicação.
Coincidência ou não, Jéssica vinha enfrentando dificuldades no exterior.
— Divórcio é só um papel. Com sua capacidade, se você quiser, consegue anular isso a qualquer momento.
— E hoje a avó deu as ações para ela claramente para forçar vocês a reatarem.
— Eu também ouvi dizer que, antes da festa, ela se encontrou sozinha com a avó.
— Você não achou estranho? A avó sempre quis vocês juntos. Por que aceitou o divórcio tão facilmente? E na festa, quando soube, agiu como se não fosse nada.
— Mas se você considerar que ela já tinha planejado como fazer vocês voltarem, tudo começa a fazer sentido.
Ele terminou a análise de forma organizada, segura.
Viu o semblante de Lucas se acalmar pouco a pouco.
Ao notar isso, soltou um suspiro quase imperceptível e, com cuidado, tocou a mão que ainda o agarrava pelo colarinho.
Lucas tinha batido para machucar. A raiva era real. O tecido apertava seu pescoço com força, sufocando-o a ponto de quase faltar ar.
Se não soltasse, ele tinha a sensação de que realmente seria estrangulado ali mesmo.
Pouco depois, Lucas finalmente abriu os dedos.
Lírio respirou aliviado.
Parecia que Lucas tinha acreditado nele.
Ele mal teve tempo de achar que o havia convencido.
No segundo seguinte, Lucas fechou o punho e acertou-lhe um soco violento.
Com o rosto inchando e os olhos marejados, ele quase chorou.
— Lucas, eu estou dizendo a verdade. Por que ainda me bate?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Dia em que Ele Aprende a Te Perder
Que estranho, findaram o romance sem concluir o enredo, na verdade, simplesmente não deram continuidade, deixando várias situações sem desfecho...
N chega ao fim estes romances? Acaba se tornando maçante....