No estacionamento subterrâneo, dentro de um carro de luxo.
Gonçalo estava no banco do motorista, a palma da mão suando de nervoso.
Pelo retrovisor, lançou um olhar para Lucas no banco de trás.
Desde que entrou no carro, Lucas não tinha dito uma palavra. A expressão era indecifrável.
Aquela atmosfera contida o deixava mais apreensivo do que quando Lucas explodia e o repreendia.
Ele já tinha ouvido sobre o que aconteceu no banquete.
Estela anunciou publicamente o divórcio, assumiu um novo namorado e, além disso, Aurora transferiu as ações para ela.
Quanto ao divórcio, ele não comentou.
Achava que a expressão de Lucas tinha mais a ver com as ações.
Ele conseguia entender.
Depois de anos cultivando algo com esforço, ver metade ser levada por outra pessoa não deixaria ninguém tranquilo.
Mas era Estela. Foram cinco anos de casamento. Em comparação, parecia algo que ainda dava para conversar.
Gonçalo pensou um pouco e perguntou com cautela:
— Sr. Lucas, que tal conversar de novo com a Srta. Estela?
Ele achava que Estela não era alguém irracional, nem alguém que tomaria algo de outra pessoa sem motivo. Aceitar as ações devia ter uma razão.
Lucas olhava para fora da janela, como se estivesse imerso em pensamentos.
Ao ouvir a voz de Gonçalo, voltou à realidade.
Ele fechou o punho e riu de irritação.
— Conversar sobre o quê?
O divórcio já estava feito.
Ele achou que ela só estivesse fazendo birra, de mau humor.
Não imaginava que, um mês antes, ela já estivesse planejando se divorciar.
Estela tinha escondido isso muito bem.
Quanto mais pensava, mais sentia o peito pesado, como se uma pedra o oprimisse.
Gonçalo falou em voz baixa:
— Foram cinco anos de casamento. A Srta. Estela não pode não ter sentimento algum. Talvez tenha sido impulso. Se o senhor baixar a cabeça e pedir desculpa, talvez ela mude de ideia.
Ele achava que aceitar as ações poderia ter sido uma resposta ao que vinha acontecendo entre Lucas e Jéssica.
Nos últimos tempos, o comportamento de Lucas em relação a Jéssica realmente tinha passado do limite.
Ao ouvir aquilo, Lucas soltou uma risada de raiva.
— Você quer que eu peça desculpa para ela?
Ela pediu o divórcio por impulso, e ainda por cima já vinha planejando isso havia um mês.
Do começo ao fim, ele foi mantido no escuro. E agora a culpa era dele? Ele que tinha que pedir desculpas?
— Impossível. — Disse Lucas friamente.
Se divorciaram, então está feito.
Pedir desculpa? Só se tivesse perdido a razão.
Gonçalo trabalhava com ele há anos e conhecia seu temperamento.
Ao ouvir a resposta categórica, não ficou surpreso.
Ele aconselhou em voz baixa:
— Sr. Lucas, às vezes é melhor evitar confronto direto. É algo grande demais para resolver na força.
Lucas ficou pensativo por um instante.
— Além disso, a Srta. Estela tem o coração mole. Ela gostava tanto do senhor. Se o senhor pedir desculpas com calma e conversar direito, ela vai aceitar. — Gonçalo continuou.
Ele via claramente que Estela não estava atrás do patrimônio. Se fosse isso, não teria saído do casamento sem levar nada.
No pior cenário, ela no máximo pediria alguma compensação.
Eles não estavam falando sobre o patrimônio da Farias?
Antes que pudesse explicar, pelo canto do olho ele viu Estela caminhando naquela direção.
O carro dela estava estacionado ao lado do deles.
Ela parou diante do veículo por um instante, como se tivesse percebido algo, e olhou ao redor.
Sem saber se ela tinha visto os dois, Gonçalo se preparou para sair do carro e cumprimentá-la.
Quando levou a mão ao cinto de segurança, sentiu um arrepio.
Ao virar a cabeça, encontrou o olhar de Lucas, carregado de aviso.
Ele só pôde desistir.
Lucas tinha percebido que Estela olhou na direção deles.
Depois de um breve contato visual, ele desviou o olhar.
Alguns minutos depois, ele viu Estela agir como se não tivesse notado nada, entrar no carro, dar partida e ir embora.
Lucas franziu o cenho.
Então, por acaso, seus olhos passaram por um adesivo no vidro traseiro do carro dela.
Uma sensação familiar o atingiu.
Suas pupilas se contraíram.
Gonçalo viu Lucas fixar o olhar no carro em que Estela tinha acabado de sair e, lembrando que ele tinha falado de reatar há pouco, começou a entender o que se passava na mente dele.
Então, Lucas realmente ainda tinha sentimentos por Estela e pensava em reatar.
Depois de organizar esse pensamento, estava prestes a perguntar se deveriam segui-la.
Mas Lucas falou antes.
A voz tinha um leve tremor, quase imperceptível:
— Esse carro da Estela... não sofreu um acidente antes?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Dia em que Ele Aprende a Te Perder
Que estranho, findaram o romance sem concluir o enredo, na verdade, simplesmente não deram continuidade, deixando várias situações sem desfecho...
N chega ao fim estes romances? Acaba se tornando maçante....