Família Lacerda.
O clima estava pesado e silencioso.
Alguns seguranças de terno permaneciam imóveis do lado de fora.
Assim que Rafael empurrou a porta, viu Laura parada na sala. O rosto bonito estava frio. Ela segurava um chicote preto.
No momento em que Rafael entrou, Laura ergueu o chicote e o estalou com força contra a mesa de centro.
A mesa de vidro se partiu em pedaços.
Rafael levou um susto.
Mas sabia que aquilo era apenas um aviso. Ela não pretendia machucá-lo.
Ele fingiu não notar. Aproximou-se com um sorriso:
— Quem deixou minha irmã tão brava assim? Esse chicote pode machucar sua mão. Melhor largar. Me diz quem foi que eu resolvo.
Ele estendeu a mão para pegar o chicote.
Laura estalou de novo. O chicote bateu no chão, produzindo um som agudo.
— Ajoelha!
Rafael não hesitou. Ajoelhou-se de imediato.
A naturalidade do gesto fez Laura ficar irritada e sem reação ao mesmo tempo.
Ela ergueu o chicote, mas no fim apenas tocou de leve o corpo dele, de forma simbólica, e questionou:
— Você está com Estela?
Rafael assentiu.
— O que eu te disse antes? — Laura olhou para ele, tomada pela raiva. — Ela era esposa do Lucas. É da família Farias. Sem falar na rivalidade entre as duas famílias. Estela já virou motivo de piada em Cidade N inteira. E você ainda vai se envolver com ela? O que passou pela sua cabeça?
Laura enrolou o chicote e o balançou na direção de Rafael, em ameaça.
No fim, sem ter o que fazer, voltou a se sentar no sofá, frustrada.
Rafael sempre agiu de forma livre. Ela tolerava os casos passageiros dele. Não esperava que, desta vez, ele realmente se envolvesse com Estela.
E ainda fizesse isso publicamente.
Quando viu o vídeo deles juntos, quase perdeu a cabeça.
Rafael sorriu.
— Ela já se divorciou do Lucas. Nosso relacionamento é legítimo.
— E se ela virou motivo de piada, é porque Lucas não a amava. Ninguém queria ofender Lucas, então falavam dela. Isso não foi culpa dela.
— Você ainda está defendendo ela? — Laura se surpreendeu.
Rafael falou com seriedade:
— Não estou defendendo. Estou dizendo a verdade.
— Mas se você acha que é culpa dela, então é culpa dela. Afinal, ninguém pode se comparar com você. Se alguém pensa diferente de você, eu continuo achando que você está certa.
Laura riu.
Antes mesmo de ele chegar, metade da raiva já tinha passado.
Agora, ouvindo aquelas palavras doces dele, ela ficou entre o desânimo e o riso, e a irritação que restava desapareceu.
Mas sabia que não podia deixar assim.
— Não vai. Naquela vez, por causa do Daniel, eu quase perdi os dois olhos. Só por isso ele não teria coragem de quebrar minha perna.
Ao ouvir aquilo dito com tanta leveza, o sorriso de Laura ficou congelado nos lábios.
Gritos.
Disparos.
O cheiro metálico de sangue.
As imagens pareciam voltar.
Os olhos dela arderam, e ela piscou rapidamente. Quando voltou a olhar para Rafael, o tom já estava mais brando.
— Então o que você descobriu com ela?
Rafael ficou em silêncio.
— As coisas precisam de tempo.
Vendo que a raiva dela tinha diminuído, ele se levantou e se sentou ao lado dela.
Ele se ajoelhou rápido demais e nem prestou atenção. Acabou se ajoelhando sobre um caco de vidro por descuido.
Sem demonstrar nada, ele esfregou discretamente o joelho dolorido e disse:
— Tudo precisa de paciência. Ainda mais quando nem o Daniel conseguiu descobrir nada em cinco anos. Não adianta ter pressa.
Enquanto falava, ele pegou o chicote das mãos de Laura e o entregou ao segurança ao lado.
— Mas eu prometo que vou conseguir descobrir. Confie no seu irmão. Não subestime meu charme.
— Talvez você não tenha muito tempo para usar esse charme. — Laura olhou para ele. — Daniel volta para o país amanhã.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Dia em que Ele Aprende a Te Perder
Que estranho, findaram o romance sem concluir o enredo, na verdade, simplesmente não deram continuidade, deixando várias situações sem desfecho...
N chega ao fim estes romances? Acaba se tornando maçante....